20 janeiro, 2015

Papetón de berinjela com coulis de tomate


Vivo com uma sensação realmente estranha: até quase um ano atrás, comer de tudo, sem carne, era algo comum, que todos na mesa compartilhavam. Ultimamente, costumam me olhar de cima em baixo, muitas vezes, sem disfarçar olhares invejosos que me incomodam extremamente, e sempre soltam algo do gênero "como consegue comer sem carne?" Se a pessoa está comendo junto comigo, analiso o prato dela (geralmente com tonalidades de amarelo predominante) e, quando respondo: "desse jeito aí é que não consigo". O que observo é a falta de criatividade ou variedade nos pratos, pois há sempre arroz e feijão, macarrão, tomate em molhos, pão, batata frita (ou batata cozida). Muitas vezes há variedade, mas de tipos de carne. E um punhadinho de acompanhamentos, as vezes verdes. Um país com tanta variedade de alimentos e uma população que não poe essa variedade no prato... eu não entendo. Minto, na verdade eu não entendo mais, porque um dia entendi e hoje me alimento completamente diferente de 10 anos atrás, mas precisei mudar de cidade (e estado) para isso. E a mídia não era tão massiva com a variedade de programas culinários nos ensinando novos horizontes alimentares...  

Na última visita da minha avó (que hoje tem 90 anos de idade, super lúcida, ativa, e com saúde de dar inveja a muitos jovens), enquanto eu preparava um ratatouille para o almoço de domingo, ela comentou como comemos bem melhor na nossa cidade hoje. Disse que há 60 anos atrás, quando ela se mudou p/ Cuiabá, só se encontrava mandioca, maxixe, carne, peixe, abóbora. Para quem veio do interior de São Paulo, filha de espanhóis, ela levou anos para se acostumar com a falta de variedade de vegetais. Contava ela, que a sorte foi conhecer pessoas que iam e vinham muito de São Paulo e traziam mais vegetais. Sei o que é isso, ao contrário. Antes de me mudar para São Paulo, comia mal. Arroz, feijão, bife e farofa e pra variar, macarrão com molho de tomate, pizza, etc. Meus pais trabalhavam fora, o dia todo, e por isso nossa (minha e dos meus irmãos) alimentação dependia das nossas cuidadoras. "Eu nunca entendia como elas carregavam no óleo, naqueles mesmo pratos de sempre", dizia minha mãe, que mesmo ela ensinando como cozinhar para seus filhotes, ela tem certeza que nem sempre era obedecida a ordem. Foi em São Paulo que conheci a variedade dentro de casa, porque é fácil e barato conseguir mais vegetais. As feiras de rua que tem para todo o canto de São Paulo até hoje, mostra a alimentação da maioria da população dali.  Quando mudei para a Paraíba, já havia me tornado vegetariana (a fase radical) e vi que se não abrisse mão das minhas crenças, ia ficar doente rapidinho. Uma dificuldade parecida com a que minha avó contava, eu encontrei por lá. Parecida em termos, porque hoje em dia se acha de tudo em qualquer lugar, só que menos variedade e mais caro, resumindo sempre ao que os supermercados te oferecem, nem sempre saborosos. 

Mas porque hoje em dia, mesmo com tanta variedade, as pessoas ainda não comem mais vegetais, a não ser que foi criado desde pequeno a se alimentar bem? Minha opinião é de que não sabem preparar. E como eu já disse isso em inúmeros artigos deste blog, não vou repetir. Vou agora compartilhar mais formas mais saborosas de comer vegetais, como este Papetón de berinjela com coulis de tomate. Receita do meu material do curso de gastronomia, adaptada aos ingredientes encontrados por aqui. 
Para esta receita, você vai precisar de: 


Papetón: lista de ingredientes

Ao comprar berinjela, prefira as pequenas, as mais novas. Pois quanto maior a berinjela, mais velha ela é e mais amarga será, por conta da quantidade de sementes. 
1. Lave bem e corte a berinjela em cubos de 1cm (corte mirepoix). Se só encontrar grande, descarte a parte central, cheia de sementes.
2. Refogue no azeite as cebolas bem picadinhas (o famoso corte brunoise). Acrescente o alho picadinho, quando começarem a dourar, acrescente a berinjela e sal.  
3. Abaixe o fogo, tampe e cozinhe uns 5 minutos. Tire a tampa e acrescente folha de louro e tomilho. Cozinhe até a berinjela ficar transparente. Se precisar de líquido, já que a berinjela chupa muito, acrescente um pouquinho de água. Tempere com sal e pimenta.
4. Enquanto isso, bata os ovos e tempere com sal e pimenta. Misture bem à berinjela. Retire a folha de louro.  


formas de empada

5. Unte forminhas com azeite (forminhas de flan dão uma boa altura, mas usei de empada);
6. Distribua a mistura de berinjela nas formas, enchendo apenas 2/3 de cada. Cubra com papel alumínio e faça pequenos furos. 
7. Cozinhe em banho-maria por cerca de 20 minutos em forno médio. Reserve um que será a prova. Se estiver firme, e não soltar nada no palito (verifique igual verifica o ponto de um bolo), está pronto.

Para o coulis de tomate você precisa de:


Coulis de tomate: lista de ingredientes

Prepare enquanto assa os papetón. 
1. Numa panela, coloque o azeite e esquente. Desligue assim que formam aquelas linhas no azeite, como o da foto:


Ponto exato de desligar o fogo

Coloque o alecrim e tampe por uns 15 minutos. Depois, coe o azeite. 
2. Lave bem os tomates. Se orgânicos, mantenha os do jeito que estão, tirando apenas o pedúnculo. Se não, tire a casca dos tomates, reservando algumas. 
3. Num processador, coloque todos os ingredientes (exceto o azeite). Enquanto bate, acrescente o azeite em fio para emulsionar. No caso de usar tomates sem pele, acrescente aos poucos algumas peles, para dar uma melhor consistência. 
4. Coar e servir sobre o papetón. 


Finalizando o prato... 

Seja feliz!!!


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