29 dezembro, 2014

Menu para o ano novo

Minha versão de Mjadra para o site Menu Desconstrução


O trabalho tem me mantido ausente deste blog. E minha inteligência tem se ausentado durante o trabalho... Não é menosprezo, mas voltar da Europa com uma mala carregada de experiência e conhecimento e se deparar com um local que custa mais caro do que eu encontrava lá, mas com o nível muito mais baixo, é de emburrecer qualquer um! E de acordo com meus objetivos (que sofrem mutações constantes na prática), é necessário esquecer as tradicionais maneiras de trabalho e sustento, pois o tradicional está mais do que corrompido neste país. Exceto para os grandes Chefs que têm conseguido elevar a gastronomia desse rico país, resgatando ingredientes e sabores já esquecidos por causa da imitação do mal hábito americano de encarar a alimentação. 



Canelone de escalibada de Pep Nogué 

Este blog é um espelho das minhas convicções na área. Já passou por uma fase radical e como tudo no mundo não é permanente, continua em constante mutação. Eu não sou mais vegetariana e nem radical. Voltei a comer peixe e frutos do mar, opto apenas por ovo e galinha caipira (nas raras vezes que como frango) e muito queijo. Em apenas 2 anos de mudança de profissão, colho o resultado da falha proteica causada pela antiga dieta. A dieta vegetariana (e para quem come pouco) é ótima para quem trabalha utilizando o intelectual. Para quem usa o corpo, é complicado sustentar essa dieta, já que o músculo necessita se alimentar bem para aguentar o trabalho. E músculo se alimenta de proteína. E ponto final. 


Joia Ristorante


Conciliar trabalho intelectual com trabalho braçal na área da cozinha, nos métodos tradicionais, é complicado. Ou você é o peão aguenta rojão naquele calor dos infernos ou você é o dono. "Quem trabalha na área de hotelaria deve ter corpo de atleta" me disse Kusum Modak, mestre criadora do método Yoga Massagem Ayurvédica, em janeiro deste ano na nossa despedida. E só agora começo a aceitar que meu corpo não aguenta bem a forma como eu gostaria de trabalhar. E só agora começo a aceitar que minha mente não aceita bem a forma como (a maioria) os empresários brasileiros trabalham a gastronomia. Sem dinheiro para abrir um negócio próprio (no momento), é preciso se reinventar. 


Carpaccio de cogumelos da Escola Bell Art (aulas de cozinha vegetariana)


Durante meu curso de gastronomia na Espanha, tive contato pela primeira vez com a alta gastronomia vegetariana. Também pela primeira vez, vi essa rica culinária sem ares de natureba, hippie e muitos outros preconceitos que costumam acompanha-la. Vi pratos lindos, apetitosos, autênticos, charmosos e cheios de frescura também, como qualquer outro prato apresentado pela alta gastronomia. No Brasil ainda há muita cara feia quando se menciona o simples termo "vegetariano", enquanto na Europa e em alguns países da Ásia é, simplesmente, comum. Todo país tem seus ricos pratos sem a necessidade de carne, como a Itália e suas massas com seus deliciosos molhos, como o Pesto, e Putanesca. Dois restaurantes vegetarianos europeus conceituadíssimos não me deixam mentir: O Hiltl (em Zurique, Suiça) e o Joia (Milão, Itália). O primeiro tem o título de restaurante vegetariano mais antigo da Europa (com 116 anos hoje) e o segundo carrega a fama de ser o único vegetariano com estrela Michelin.  Na Europa, as pessoas sabem fazer uma refeição sem carne sem o menor problema. E apreciam o prato dessa maneira. 


Rigatoni de Jamie Oliver

"Para que tanta carne em um dia se não vou queimar isso tudo?" Se vangloriava um amigo que se dizia saudável. Como muitos já sabem, o corpo precisa é de proteína e não a carne em si. Mas é verdade que a melhor fonte de proteína é a carne. Seu animal preferido (provavelmente herbívoro) se alimentou e metabolizou os aminoácidos completo (vulgo proteína) pra você. Coisa que seu corpo também sabe fazer se souber se alimentar. O problema é que muitos carnívoros de alguns países (pois não são todos que não sabem comer e nem preparar vegetais gostosos) comem poucos (ou quase nenhum) vegetais durante o dia. E ingerir excesso de proteína sem vitaminas, minerais e fibras (encontrados somente em alimentos vegetais), dificulta a capacidade do corpo de metabolizar seu bife. E dependendo do seu biotipo, não demora a aparecer os problemas decorrentes de uma dieta excessivamente carnívora. 


Hamburguer vegetariano do Hiltl


Não é necessário virar vegetariano para se alimentar bem. Mas aconselho aprender mais sobre o termo para quem quer melhorar a alimentação. Ampliar as fontes de nutrição melhora a saúde e lhe dá novos prazeres, afinal, muitos cientistas afirmam que não gostar do que se come, além de triste, faz mal à saúde (e também engorda). Não só a carne e a gordura animal são saborosos. Tem tanta coisa gostosa nesse pontinho azul na imensidão do universo que é injusto chamar só os animais de gostosos. Também não devemos cortar ingredientes se REALMENTE não temos problemas com ele, como muito se fala hoje do glúten e da lactose. Modismo não deveria ditar as regras do seu corpo.  


Aperitivo de alcachofra da minha mamis



O assunto que está em voga é a alimentação balanceada, que nada mais é: nada de excessos nem faltas. Apenas manter o equilíbrio na hora de comer. Ainda não completou nem um século que a maioria das pessoas migraram dos trabalhos braçais para os intelectuais. Mas continuamos comendo como se puxássemos carga o dia todo. As pessoas são cada vez mais dependentes de empregados e tecnologia, mas ainda comem como um peão de obra. Há que comer não só de acordo com a região e o clima onde se vive, mas também, de acordo com o estilo de vida. Em contraponto, é só ler qualquer livro de administração de pessoas para verificar o óbvio: o ser humano é avesso a mudanças. E para confirmar, basta ler qualquer livro de filósofos e outros pensadores, escritos há mais de 2.000 anos atrás (a humanidade não começou com Jesus Cristo) e verificar que, moralmente, nada mudou. Fato que sempre me levanta a dúvida se estamos, realmente, evoluindo moralmente. A tecnologia deu um salto tão grande em tão pouco tempo... porque não seguimos o mesmo ritmo? Porque exige mente aberta, novos conhecimentos e constantes mudanças no modus operandi até encontrar uma melhor forma que irá desejar ser reinventada constantemente. E com a alimentação não é diferente. 



O delicioso Veggie Burger da lanchonete paulista America


Para 2015, desejo a todos que abram suas mentes, aceitem a si mesmo em suas constantes descobertas e preparem seu corpo para a realização dos desejos de uma vida melhor. 


Ps: Dentro do texto, há links para artigos que explicam melhor cada tema abordado, como uma retrospectiva. 
Ps1: Confesse que essas fotos dão fome! Todas são vegetarianas. 
Ps2: Foco em receitas vegetarianas a partir do ano que vem (semana que vem!) que poderão ser vendidas para quem mora em Cuiabá. 
Ps4: é caro e nem quero ter um porque não tem Mario Kart. 

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