18 junho, 2014

As descobertas da psiconeuroimunoendocrinologia. A medicina alopata está se humanizando.

Organizando meus materiais desses últimos 2 anos, encontrei essa interessante entrevista do médico catalão Xevi Verdaguer. É interessante notar como ultimamente a medicina alopata abre espaço para uma visão mais complexa do ser humano e seus problemas de saúde. 
A tradução é minha e de acordo com meus conhecimentos, procurei traduzir os termos técnicos. Na dúvida, consulte a entrevista original em espanhol e me avise se errei algo. 


Por Jondina Casademunt do site www.saludnaturalyantiage.com

Xevi Verdaguer começou suas andanças no mundo da saúde por meio de estudos de fisioterapia. Depois de trabalhar e ver que havia pacientes que obtiveram a cura e os outros ao fazerem o mesmo, não melhoraram, tornou-se interessado em estudar outras disciplinas: posturologia integrativa, osteopatia, acupuntura, hipnose, suplementação, homotoxicología, microinmunología e psiconeuroimunologia. Estas são as especialidades que o têm ajudado a personalizar cada tratamento e verificar causa do problema em cada pessoa tendo em conta a parte emocional, mental e física do paciente. Atualmente, Xevi combina seu trabalho em consultas com o ensino em várias universidades. Ele é Diretor de Pós-Graduação em Posturologia que realiza em Madrid, Porto e Terrassa, e co-diretor da Pós-Graduação em Psiconeuroinmunoendocrinología (PNIE) no centro de KenZen Salut Terrassa.

Você se especializou em PNIE, ou Psiconeuroimunoendocrinologia. Em que se baseia? 

O PNIE é uma disciplina que estuda as interações entre o sistema imunológico, sistema nervoso central e o sistema endócrino. Esses três sistemas têm uma complexa rede de conexões. Para dar um exemplo simples, se vamos mal ao banheiro, isso nos afeta diretamente no sistema nervoso, hormonal e emocional.  

Como? 

Sabemos que no intestino se encontra 80% do nosso sistema imunológico inato. A comida que comemos e como nós absorvemos os nutrientes é vital para a saúde. Além disso, as análises das fezes para conhecer o estado da flora intestinal ( as bactérias proteolíticas produtoras de gases, as bactérias saudáveis, fungos e parasitas) serão muito importantes para saber como interage o sistema imunitário do intestino com o sistema nervoso e emocional.  

Muito interessante 

Sim, sim. Sabemos que no intestino fabrica-se cerca de 80-95% da serotonina que, através das plaquetas,  vai viajar para o sistema nervoso central atravessando a barreira hematoencefálica. Esta serotonina, comumente conhecida como o hormônio da felicidade, é essencial para o bem-estar. Um intestino intoxicado fabrica menos serotonina. Quando alguém diz "estou deprimido e cansado", eu pergunto, "você tem certeza que evacua corretamente todos os dias?". 

E o fato de produzir menos serotonina, no que resulta? 

Cagar bolinhas, como as cabras. Baixos níveis de serotonina resultam em constipação (prisão de ventre), depressão e irritabilidade (está triste mas não chora), dificuldade para dormir, dor crônica, dor de cabeça, mãos e pés frios. Se temos problemas de prisão de ventre, fabricaremos menos serotonina e, portanto, estes sintomas aparecem. Pessoas com depressão e ansiedade têm prisão de ventre ou distúrbios digestivos, tais como cólon irritável.

O que mais interfere na saúde intestinal? 

Dopamina, óxido nítrico e GABA (ácido γ-aminobutírico) são outros neurotransmissores que têm muito a ver com o intestino. Foram encontradas bactérias específicas que produzem serotonina e GABA. Para uma pessoa que está deprimida eu darei probióticos que estão relacionados com a produção de serotonina. Por exemplo, somente as bactérias Lactobacillus plantarum, Lactobacillus rhamnosus GG, Lactobacillus helveticus, Bifidobacterium infantis, Bifidobacterium bifidum e Bifidobacterium longum são as produtoras de serotonina. Só estas, e não outras. 

As pessoas com problemas psiquiátricos devem ter o intestino funcionando bem. 

A minha primeira pergunta para as pessoas que estão deprimidas e ansiosas é como elas evacuam. 

Então se uma pessoa tem problemas psiquiátricos, receitam probióticos? 

Sim. Todas as pessoas depressivas que tomam medicamentos psiquiátricos são pessoas que têm problemas digestivos, porque esses neurotransmissores alterados são produzidos principalmente no intestino. Os psicofármacos atuam apenas na recaptação de serotonina no cérebro, mas o problema se encontra, frequentemente, no intestino. É esta a base dessa nova ciência que está surgindo nos Estados Unidos, chamada neurogastrenterologia, e que é essencial para integrar a saúde intestinal à saúde emocional. 

O que mais você pode dizer sobre os nossos intestinos? 

É também essencial a conexão estrogênio-intestino. Eu costumo perguntar: "Quando você está menstruada, evacuas melhor ou as fezes são pastosas?". Quando há um excesso de estrogênio, nas mulheres são absorvidos no intestino, favorecendo a ativação de hormônios do estresse e da dor crônica, inflamação intestinal, miomas, endometriose, síndrome pré-menstrual, os seios fribosos, e nos homens aumentar seus seios! Não é por acaso, então pergunto: "você tem prisão de ventre e cólicas menstruais?" 

Se uma mulher tem problemas menstruais ou os problemas mencionados acima, o que fazer? 

Se você tiver problemas menstruais e gases, primeiro procure resolver o problema de gases. Para isso é importante complementar as boas bactérias (probióticos) e reduzir o consumo de alimentos ricos em proteína animal, etc. 

Gases? 

Gases fedidos são indicativos do aumento da presença de clostridium: bactérias proteolíticas encontradas no intestino grosso (cólon) que aumentam com dietas ricas em proteína animal. Clostridium aumenta a presença de uma enzima (beta-glucuronidase), que quebra a ligação do estrogênio (estes ligados ao ácido glicurônico) facilitando a presença de estrogênio livre presente que o reabsorve. Esta reabsorção dos estrogênios no intestino promove o aumento de estrogênios no organismo. Concluindo, pessoas que soltam gases fedidos (por excesso de bactérias proteolíticas, clostridium) terão excesso de estrogênios como o que causa a síndrome pré-menstrual (TPM), irritabilidade, ansiedade, inflamação intestinal (também relacionada ao câncer de cólon), excesso de histamina... os altos níveis de histamina também é um indicador de excesso de estrogênio no corpo.  

Como podemos saber se temos níveis altos de histamina? 

Quando o paciente apresenta estes sintomas frequentemente, alergias de primavera (rinite, sinusite, espirros); dores de cabeça ou enxaquecas; contraturas ou dores nas articulações; pele seca ou eczema atópico; constipação ou diarréia ou ambos (cólon irritável); fadiga, sensação de estar sempre cansado e pressão arterial baixa. É muito, muito comum se deparar com a dor crônica, fadiga ou falta de energia, problemas de pele, problemas menstruais e não ir ao banheiro regularmente. Intestino-estrogênio-histamínico. Esta é a neurogastrenterologia. Temos que eliminar e degradar os altos níveis de histamina. Caso contrário, teremos dor, eczema, fadiga, alergias... sempre. A incapacidade de uma completa degradação da histamina pode ser devido a um déficit de diamina oxidase intestinal, ou o que é conhecido como DAO, entre outras razões. 

E o que determina a DAO na saúde? 

A deficiência desta enzima, diamina oxidase, causa uma má metabolização da histamina alimentar e meio-ambiente (pólen, grama, ácaros). Uma má degradação da histamina causa o acúmulo de histamina no organismo (histaminose). Este déficit de DAO pode ser devido a uma inflamação intestinal (intolerância ao glúten ou um vírus) ou por motivos genéticos. Ela é medida com um simples exame de sangue. Por outro lado, é um desastre... Existem muitos medicamentos que inibem a diamina oxidase como ansiolíticos, antidepressivos, mucolíticos, pílulas para pressão, relaxantes musculares... Estes medicamentos são perfeitos para sofrer de dor crônica, fadiga crônica, eczema crônico. Se uma pessoa tem baixos níveis desta enzima, então irá acumular histamina no corpo. É necessário reduzir o consumo de alimentos ricos em histamina e deixar os fármacos que inibem a diamina oxidase (com a ajuda de um profissional). 

Quais alimentos são ricos em histamina ou facilitam a sua liberação? 

Os mais perigosos são as frutas como laranja, pomelo, toranja, kiwi, banana, morango, pêssego, cereja, damasco e abacaxi. Chocolate e derivados, laticínios (leite, queijo, iogurte), soja e derivados, café, chá, álcool, vinagre, peixe azul, frutos do mar, conservas, frutos secos (especialmente nozes e amendoim), carne de porco e derivados (salsichas), trigo e derivados (pão, massas, pizzas, bolos, farinha), tomate, pimentão, berinjela, espinafre, acelga, açúcar branco, aditivos, glutamato monossódico e aspartame. Em menor quantidade, também encontrado na clara de ovo, alguns legumes, como grão de bico, azeitonas e cogumelos. 

O que devemos fazer com o excesso de estrogênio

Você tem que fazer um estudo personalizado. A evolução da ciência e as novas tecnologias também nos permite um estudo genético do metabolismo do estrogênio. Por um lado, devemos levar em consideração certos nutrientes, tais como magnésio, vitamina B6, B9, B12 e metionina. Por outro lado, é importante ter um bom nível de hormônio luteinizante (LH), produzido na glândula pituitária, que favorece a secreção de progesterona. De fato, os baixos níveis de progesterona altos níveis de estrogênio estão relacionados à síndrome pré-menstrual, em mulheres com ciclos curtos ou abundantes. Nestes casos, também é muito importante a vitamina D e zinco, porque promovem bons níveis de LH e, por conseguinte, a progesterona e também a DHEA (dehidroepiandrosterona). Todos mensuráveis em um simples exame de sangue. 

O que mais você recomenda para mulheres com altos níveis de estrógeno? 

Os frutas vermelhas são excelentes, porque têm uma substância, fitoalexinas, que inibe o metabolismo de estrogênio pró-carcinógenos como o 4-OH estradiol ou o 16-OH estradiol. As mulheres com miomas, endometriose e tiveram a menstruação muito cedo (10 anos) pode ir muito bem. 

Quando há problemas digestivos, o que você recomenda? 

Um exame de fezes, uma dieta com pouca proteína animal e rica em frutas e vegetais e a suplementação de probióticos e prebióticos, que ajudam a produzir ácido butírico, essencial para promover um ecossistema intestinal saudável. 

Para saber tudo isso, você sempre recomenda fazer análise? 

É muito importante individualizar o tratamento e avaliar a necessidade de diferentes testes (análise de fezes, aminoácidos, ácidos graxos essenciais, hormônios) para ter uma visão real da bioquímica de cada paciente. Por exemplo, podemos descobrir pessoas deprimidas que sintetizam bons níveis de serotonina, mas que não se encontra adequadamente  dentro das células porque há alterações nas membranas celulares. E eles estão deprimidos, é claro. Nestes casos, a suplementação com taurina, fosfosserina e omega-3, pode ser importante para facilitar a entrada de serotonina no interior da célula. 

Quando você recomenda uma desintoxicação? 

Em todos os casos. É essencial que uma boa limpeza hepática e intestinal ao mesmo tempo e uma hidroterapia de cólon. 

Qual é a sua recomendação para a desintoxicação? 

Eu geralmente recomendo desintoxicar o corpo ao nível da matriz extracelular com a combinação de homeopatia ou plantas hepáticas como o desmodium, alcachofra, cúrcuma, (como o Hepat + Eophy ) e desintoxicar a nível intracelular com a coenzima Q10. Ambos são necessários para atuar ao nível da matriz extracelular e intracelular. Em seguida, eu recomendo a limpeza dos canais do biliares hepáticos e da vesícula biliar (neste caso, eu recomendo a limpeza hepática do Andreas Moritz) e limpeza do cólon. 

Se não vamos ao banheiro todos os dias, o que acontece? 

Que você está se autointoxicando. Devemos ir ao banheiro uma vez ou duas vezes. O normal é ir antes e ingerir o café da manhã e as fezes devem ser como churros, mais grosso que um dedo e afundar. Se você faz isso, o intestino esta fabricando/metabolizando corretamente a serotonina, GABA, dopamina, etc. 

Quanto a hidroterapia do cólon, quantas vezes recomenda? 

Depende da pessoa, mas é altamente recomendado, pelo menos uma vez por ano fazer uma série de três hidroterapia do cólon seguidas. Por exemplo, uma hidroterapia por semana por três semanas. Está provado que, depois de uma série de três hidroterapia de cólon, baixam os níveis de clostridium no intestino, aumenta a atividade dos hormônios relaxantes (anti-estresse) e aumenta os linfócitos do sangue. Apenas com a limpeza do cólon! 

E o famoso estresse, como isso nos afeta? 

Manter o estresse favorece a síntese de citocinas (mensageiros) pró-inflamatória e mais ativação da amígdala cerebral. Está associada com a dor crônica, ansiedade e outras doenças do nossos dia a dia. Também promove a disbiose intestinal aumentando a produção de gases e hiperpermeabilidade intestinal. É psiconeuroimunologia. 

E as pessoas com dor crônica? 

Eles têm que fazer uma dieta baixa em histamina e desintoxicar o corpo. 

E a parte emocional, como é que você trabalha? 

Quando você está preocupado, libera citocinas inflamatórias, como a interleucina 6 (IL-6). A amígdala está mais ativa e temos de fazer algo para freia-la. Conseguiremos isso mantendo o córtex pré-frontal ativo, que produz dopamina (hormônio da felicidade, recompensa, concentração, libido). O córtex pré-frontal é ativado por recompensa, mantendo as pessoas animadas. Existem várias maneiras de ativar esta área do cérebro que foi observado ser menos ativa em pacientes com dor crônica. 

Alguns exemplos? 

Mostre-se grato a uma pessoa a cada dia. É uma obrigação. Anote coisas boas de ti e coisas boas de alguém próximo. Para mim, esta parte é crucial para manter as melhorias ao longo do tempo e não cair. Também a prática de meditação é muito positiva. Está provado que as pessoas que meditam têm o córtex pré-frontal mais ativado. 

Para finalizar, quais são as suas recomendações básicas para todo mundo? 

Todo mundo pode fazer o que quiser com a sua saúde, mas é importante estar bem informado para mudar as crenças das pessoas desinformadas e pouco colaboradoras, que acreditam que o seu problema é crônico ou hereditário. Eu recomendo a todos a respeitarem sua saúde: adaptando sua dieta ao seu metabolismo. Coma de acordo com a forma que você metaboliza e absorve. Lembre-se você é o que você come. É essencial desintoxicar linfa, rins, fígado e intestinos periodicamente. Não se esqueça de manter-se ativo, fazer algum esporte e acima de tudo seja positivo e mostre-se grato aos outros. Finalmente, eu também diria: fuja da dieta e dos meus conselhos de vez em quando! (Sem me dizer). 



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