13 junho, 2014

A história sacana do tiramisú


Na escola de culinária, uma das coisas que eu mais gostava era ouvir os professores contando a história por trás dos pratos. Acho que tenho (uma quase) síndrome compulsiva de saber as respostas dos "Sabia que:". O mundo está repleto de histórias interessantes e grandes invenções que são resultados do erro de outras, um remédio que virou uma das bebidas mais consumidas no mundo, a textura do purê com muita gordura (e sabor!), entre outras. 

"Sabiam que o tiramisú, aquela famosa sobremesa italiana, foi criada nos prostíbulos?" iniciou a aula o diretor da escola, substituindo um professor que não pode ir naquele dia. Ele adorava contar histórias dos bastidores dos restaurantes, dos pratos, e quando seu ego permitia, nos contava curiosidades do mundo gastronômico. Diz que o tiramisú foi criado pelas cafetinas para fazerem os homens funcionarem, pois houve uma época que os prostíbulos ofereciam refeições (almoço e jantar) para seus clientes que iam direto do trabalho, muitas vezes. Eles comiam e muitos ficavam ali empachados ao invés de levantarem e fazer o que foram fazer ali, comer outra coisa.  Por isso a combinação sutil de café e álcool, 2 estimulantes para fazer o homenzinho ali funcionar após uma refeição. Eu achei graça e pensei que só podia ser brincadeira aquilo. Mas é só dar um google que você encontra essas informações, cujas fontes citadas são livros de curiosidades históricas e também em livros de gastronomia. 

Ivete Sangalo caracterizada como a cafetina Maria Machado em Gabriela


Na revista Gosto, de 2010 cuja capa é um apetitoso Tiramisú, acompanhado da frase "O doce que as cafetinas italianas ofereciam aos clientes dos bordéis",  descreve o seguinte:  

"Nascido nas "case chiuse" (casas fechadas) da Itália, eufemismo usado naqueles país para designar os bordéis, porque uma lei antiga os obrigava a permanecer com as portas e janelas fechadas, o tiramisú perdeu a conotação maliciosa, sendo hoje preparado no mundo inteiro, inclusive em festas infantis. Começou a se espalhar na década de 60, graças ao restaurante Da Alfredo, em Treviso, no Vêneto, primeira casa do grupo Toulà, fundado por Alfredo Beltrame e Arturo Filippini. Os donos nunca reivindicaram a paternidade da receita. Sempre informaram à clietentela que o tiramisú foi criado nos bordéis do Vêneto, após a Segunda Gerra Mundial. Curiosamente, as "case chiuse" dispunham de cozinha equipada, muitas vezes comandadas por grandes chefs e pâtissiers. "A cafetina de uma delas começou  a receber os clientes oferecendo-les gratuitamente um doce sedutor" contou o restaurateur Beltrame. "Quando o entregava, fazia essa exortação: 'Anda, saboreia com carinho, estou te dando um doce que 'ti tira su' (que te levanta)'." Os clientes entendiam o recado."   (trecho do artigo O doce dos bordéis, da revista Gosto nº 9 de abril, 2010). 

Quando pensava em qual receita faria para o tema dia dos namorados, sempre me vinha a mente as propagandas que já circulavam na véspera. Cada uma a sua maneira, falam que após dar um presente (ou receber) o sexo vai ser daqueles! Não podia se esperar algo melhor de uma data comercial, cujos ganhos para as lojas aumentam e o cliente tem a recompensa do prazer nesse ato. O tiramisú representa bem a data, não só pela sua história, mas também pelos ingredientes e por sua textura. 

A textura, um detalhe interessante da nutrição ayurvédica. Segundo os médicos, uma forma de reconhecer os gunas (propriedades) de um alimento é observar sua textura. E pegando carona no post anterior, o sêmen deve ser espesso (semi-líquido), branco puro, adocicado no gosto e no cheiro, volumoso (na ejaculação), pegajoso (mas não muito) e limpo. Logo, tudo o que tem naturalmente essa característica, contribui para a melhora do esperma. O tiramisú é cremoso e utiliza nata (creme de leite fresco) e queijo mascarpone (um queijo italiano cremoso e adocicado) em sua receita.  O biscoito usado deve ser fofinho, e quase desmanchar (mas não, para não perder a estrutura) ao ser molhado na mistura de café com licor. Não é necessário dizer mais sobre o café e o álcool. E finaliza com cacau em pó (lembre-se dos seus neurotransmissores do prazer), que com o tempo, se funde com a umidade de todo o tiramisú. Deve ser feito um ou dois dias antes de consumir, pois seu sabor apura melhor com o tempo. Mas não demore muito também, pois os lácteos frescos (a nata e o queijo) começam a azedar. Alguns chefs finalizam também com folhas de menta para refrescar, contrastando com os sabores fortes (mas sutis) presentes. Sabe aqueles inúmeros pratos que você encontra com folhinhas encima? Agora você já sabe que muitos (não todos) tem a simples função de refrescar o paladar. No caso do tiramisú com menta, lembre da história do Halls preto presente no sexo oral...

Nesta mesma receita, assim como inúmeras outras deliciosas que existem por aí, a questão saúde x combinação de alimentos, fica a desejar. Mas falarei a respeito num post sobre as más combinações (virudha ahara, em sânscrito), para não quebrar o clima. Afinal, atire a primeira pedra aquele que não abre mão de um pecadinho pelo prazer, né Magdalena?  

Eu utilizei a receita de tiramisú (no próximo post) da minha professora de confeitaria, Maria José Mendizábal. Ela deixou essa famosa sobremesa mais suave ao criar seu tiramisú cremoso, e perfeita para saborear o tempo que for necessário na boca. Alterei apenas o licor porque não encontrava o Amaretto, e notei que licores de sabor que combinam com café, ficam igualmente divinos!

Saboreie sem moderação!

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