03 novembro, 2013

300h em slowfood (dia 22)

Pelugal

Voltar ao trabalho após 1 dia de descanso é como começar do zero... Menos o joelho, pois continuo usando joalheira para aguentar ficar em pé (faz 1 semana que minha rótula simplesmente não aguenta que eu pise no chão, a saída foi comprar uma joelheira na farmácia).

Hoje foi dia de guardar os ovos e limpar os frangos orgânicos que chegaram (o Cozinheiro não me deixou tocar nas galinhas). Preparei a massa para a pasta fresca e eles fazem tudo sem as medidas que aprendemos na escola (a quantidade de ovo é a metade da quantidade de farinha). Ele vai acertando o ponto no caminho e eu só faço as medidas exatas quando estou sozinha... tudo ele mete a mão. E claro que ele meteu a mão na minha preparação quando perguntei do ponto e ouço "echale más harina", mas ele mesmo colocava, com a máquina (batedora) ligada... foi farinha para todo lado! A máquina expelia farinha como um vulcão expelia nervosamente a larva. 
Hoje veio toda a equipe dispensada do verão comer a tal feijoada... e eu, que mal toco em carne de porco por causa da alergia, estava nervosa por nunca ter feito uma, ainda por cima sem farofa (aqui só vendem aquelas prontas Yoki em casas latinas, eca), sem couve (também não tem) e sem laranja (não é época). Acabei substituindo a couve por repolho (gases pra que te quero!)  e a farofa por mandioca frita. Ainda bem que todos adoraram! Mas foi um banzo após o almoço... a sorte (ou não) é que não teve cliente durante o almoço. 

Noite tranquila, apenas um casal de clientela. Sorte! Pois hoje chegaram peixes comprados no famoso leilão em L'Escala (cidade da Costa Brava). Passamos a noite toda limpando aquela quantidade grande de peixes que eu nunca tinha visto na minha vida. "A maioria são pescados de roca" disse The Chef. Peixes não muito comerciais  porque poucas pessoas o conhecem ou não gostam por alguma característica (em geral, têm muitos espinhos) ou os restaurantes não compram porque não gostam do trabalho a mais que dão. "Se continuarem pensando desse jeito, a pesca nunca vai ser sustentável" disse The Chef. Apesar dos inúmeros cortezinhos nas mãos (pelos espinhos do Pelugal) eu me divertia conversando com eles que, de tão frescos, davam a impressão de que ainda estavam vivos. 

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