24 agosto, 2012

Os sanduiches da Avianca nem são gostosos...


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Em 2010 no famoso intervalo do Fantástico, foi lançada a campanha de uma companhia aérea que dizia: “Acaba de chegar pra você uma das maiores companhias aéreas do mundo. Agora você vai voar no Brasil com padrão internacional. E redescobrir o prazer de voar como se fosse a primeira vez. Avianca, voando para conquistar você.Aqueles assentos até folgados, distantes da fileira da frente (quem tem perna comprida, bexiga solta e ama voar na janela sabe o que é o sofrimento das fileiras apertadas), a comida de volta aos aviões, todo aquele entretenimento prometido pelas telas de TV em cada encosto e uma mãe exigente elogiando o espaço interno (mas não conheceu as tais telas de TV), me fizeram marcar um encontro com ela.


Foto tirada no balcão da Avianca no Aeroporto Castro Pinto, João Pessoa no dia 12.03.2012

Munida de duas promissoras propagandas: o comercial pago nas telinhas da TV aberta e o boca a boca da minha genitora, compramos o trecho João Pessoa-Cuiabá com conexão em Brasília, para irmos à formatura do meu irmão num final de semana, em março. Fizemos uma pequena mala com vestidos de festa, sapatos e pouca roupa para 3 dias, mais as nossas bagagens de mão. Na ida, primeira viagem, amor a primeira vista! Mesmo depois daquela simpatia tímida de quem acaba de chegar espantar a irritação causada pela falta de conhecimento de perguntas mais específicas como detalhes da conexão, despachamos a malinha porque cada uma já estava com uma mochila. E pasmem! Meus joelhos não roçavam na fileira da frente e fui feliz nas minhas constantes idas ao banheiro pulando facilmente os adversários. Mas o avião não era novo (pelo contrário) e não recebi nada mais que 1 sanduiche em cada voo e nem cheiro daquelas TVs divertidas… Na volta, segunda viagem, primeira decepção. Enfiamos tudo numa mochila só para podermos carregar a mala na bagagem de mão. No check-in nos impediram de levar a malinha na mão porque ultrapassava o limite de peso. Hummm... era a mochila que estava carregada e a malinha que tinha ultrapassado o limite de peso? Ok. Mas ao chegar em João Pessoa… cadê o cadeado da mala? Fiz questão de abrir a mala no balcão da empresa porque algo me dizia que tinha alguma coisa errada… É, lá se foi a recém comprada máquina fotográfica (só foi usada 3 vezes) que na correria do despacho em cima da hora, nem me toquei que a deixamos lá. Um RIB, fotos da mala e funcionários mal informados depois, deixamos o aeroporto rumo a delegacia registrar a queixa. E um processo no 3 Juizado Cível para finalizar após 10 dias de "culpa sua" por parte da companhia.  


Foto tirada galpão da Avianca no aeroporto Castro Pinto, João Pessoa, no dia 26.04.2012

1 mês depois fui tentar uma conciliação viajando novamente para o mesmo destino (espaço entre as poltronas até então não tinha preço). Desta vez levei tudo numa grande mochila já que desde o incidente, a não mais conquistadora me convenceu que ela não tem nada a ver com o problema e que a responsável sou eu por despachar malas. Já minha mãe, que carregava mais coisas porque ia ficar mais tempo, teve coragem de despachar sua mala e, durante esse processo, filmamos e fotografamos a mala. Isso porque eu queria provar como a entreguei pois já está enchendo o saco a fala irresponsável da empresa dizendo que sou responsável por uma mala que não tenho contato até chegar ao meu destino final. Enquanto filmava ouvia um recém contratado da empresa, jovem, ameaçando me processar se eu continuasse filmando ele. Que egocêntrico! Eu filmava a mala, não tenho culpa se ele se achava bonito e com muques o suficiente para ficar aparecendo no meu vídeo (em que aparece nosso agradável diálogo). Mas ali mesmo encontrei uma pessoa interessante que me explicou com toda a paciência como funcionam as coisas lá atrás depois que confiamos nossas malas nas mãos deles (já que não nos deixam viajar com elas no colo). Contou sobre o raio-x para poder ver TUDO o que tem na mala, onde elas ficam paradas esperando a sua vez de viajar, quando elas são agarradas por terceiros, o avião, a esteira e o reencontro comigo.


Aqui vai um resumo da pesquisa que fiz entre as 2 audiências cuja última, alegaram não haver acordo porque eu coloquei um objeto de valor na mala. Ainda bem que o ladrão não entende de moda nem de valor, pois na mala tinha vestidos mais caros que o eletrônico que eles consideram únicos objetos de valor. E nem devia saber que máquinas precisam de cabos, carregadores, já que deixou tudo na bolsinha onde estava a máquina... No Brasil, desde meados de 2007 os casos de furtos e extravios de bagagens aumentaram consideravelmente, chegando a uma média de 70%. Coincidemente (no Brasil tudo é coincidência e não obra da falta de profissionalismo e do descaso), as empresas terceirizadas que fazem o transporte das bagagens dentro dos aeroportos são alvos da mídia por causa das denúncias do Sindicato dos Aeroviários que tentam, em vão, preparar o Brasil para a Copa. Entre as empresas a mais complicada é a VITSolo, presente na maioria dos aeroportos brasileiros e campeã nos processos trabalhistas que, entre outros problemas graves, não reconhece seus funcionários como aeroviários; Todo ano aumentam consideravelmente os casos de furtos e alguns aeroportos prometeram cameras por onde passam as malas e TVs nas salas de embarque mostrando em tempo integral sua amável malinha a partir do momento que você as confia às companhias aéreas - um artigo de maio deste ano diz que Brasília é um dos que contam com essa iniciativa, mas lá as telas só mostram o painel de embarques e propagandas em tempo integral); As companhias aéreas continuam alegando que objetos de valor (eletrônicos, jóias e dinheiro) devem ser levados a mão, alegando que a responsabilidade com as malas não é deles; Na maioria dos casos em que os gatunos são pegos, pasmem! São funcionários de alguma companhia aérea, seguido por uma minoria das terceirizadas; Chove processos trabalhistas no MPT por causa dos baixos salários, ameaças morais e excesso de função (situação vulgarmente conhecida como fábrica de ladrões) contra as companhias aéreas; Ninguém fala da Infraero e nada está sendo feito de eficaz para acabar com os furtos. 


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E o que me disseram na última audiência: que não há acordo porque a culpa era minha. A advogada com síndrome de Peter Pan acompanhada do atendente bonitinho que ameaçou me processar na penúltima viagem, após ser corrigida pelo Juíz pelas perguntas estranhas que tentava formular, lembrou-me sobre o acordo firmado na compra da passagem (aquele em letras miudas no site que eles nunca imprimem para você), um aviso inexistente dos balcões (alguém tem que lembrar a não viajada Peter Pan que, a vista das pessoas, só existem os panfletos dizendo sobre objetos considerados armas que não podem ser levados na bagagem de mão e não os objetos de "valor" que eles alegam não poder ir na mala... fico imaginando a trabalheira dos fotógrafos, cineastas e profissionais que precisam carregar o tempo todo esse objetos de valor) e que eu tinha de declarar os objetos da mala. Mas toda vez que eu mostrava minha listinha de itens na mala e pedia para os atendentes abrirem, checarem item por item e assinarem junto comigo o conferido, eles mandavam eu fechar a mala e declarar sob pagamento de seguro o que ELES consideram de valor. Resumi que eles me cobram um seguro ao invés de apenas declarar o que tem na mala. E que com toda encenação ridícula pertencente as audiências, em tom jocoso, ela lembrou o Juíz que eu não declarei porque eu não queria pagar os impostos. Impostos? Num voo doméstico de uma camêra já usada? Tadinha, vai ver ela se atrapalhou com os argumentos, de novo. 

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Bom, cadê o Conar para retirar do ar a nova campanha publicitária da Avianca que utiliza a assinatura: "Avianca. Aqui todo mundo voa bem." Um argumento sujeito a interpretação de cada um, já que as campanhas não vem com um informativo do que, afinal, é voar bem. Na minha interpretação, voar bem não é só não roçar o joelho na poltrona da frente (já que não voei em nenhum avião novo com TV só para mim e não comi outra comida a não ser sanduiche e amendoim), é ter a certeza de que além de mim, minha mala com meus pertences vão chegar ao destino. Pelo que sei, o artigo 155 do Código Penal Brasileiro diz que furto é crime. A campanha também mostra aqueles aviões novinhos... mas a Avianca já é a campeã de cancelamentos de voos no Brasil e está em segundo lugar nos atrasos. O argumento? Manutenção do avião! Novamente fiz esse mesmo trecho entre os dias 12 e 21 de agosto de 2012 (desta vez com outra companhia já que a espaçosa andava saindo muito caro) e notei no painel de embarques o único voo cancelado, lá estava ela, a Avianca. Estranho... Mas tudo bem, terminei meu relacionamento com essa velhinha colombiana que chegou aqui prometendo demais. E evito relações com ladrões. 


Um comentário:

  1. Dicas Úteis:
    Pesquise e confirme no google tudo o que está escrito no parágrafo 4;
    Peça para os atendentes do check-in confirmarem sua listinha de itens da mala, abrindo e checando item por item e veja o que acontece. Melhor, mande eles assinarem!;
    Peça para viajar com a sua mala no colo e explique que você vê notícias e está ficando com medo de entregar a mala para eles. Tente um diálogo depois disso;
    Procure nos aeroportos o panfleto que informa o acordo na compra da passagem, principalmente aquele que detalha o que não pode ir na bagagem DESPACHADA! (não vale colocar o aviso a partir de hoje);
    Tente ser tratado como vítima após constatar o furto;
    Atenção! Válido para todas as companhias aéreas! É só pesquisar e descobrir que a sacanagem é geral ;)

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