02 junho, 2008

Brigadeiro de Granola


Onde os fracos não tem vez


A luz da tarde faz com que os pequenos desníveis de terra e a rasa vegetação proporcionem uma linda imagem das sombras no asfalto. A estrada longa e contínua vista a olhos nus dão a impressão de algo infinito, interminável. Uma estrada sem fim.
“Onde Os Fracos Não Tem Vez”, título tupiniquim de “No Country For Old Men”, não deixa dúvidas, é um filme de estilo. Um roadmovie de estilo, ao melhor estilo americano, não é um filme de faroeste – talvez um faroeste moderno? -, é um filme de macho, algumas mulheres podem até reclamar (sugiro que antes leiam os parágrafos a seguir), mas esse é literalmente um filme de macho, ou seria, “um filme macho”.A história tem como cenário as regiões desertas na fronteira americana com o México, onde um xerife narra a história de um perigoso assassino, foragido, que fez história pelas bandas de lá.Chigurh é um cara sem senso de humor (mas eu juro ter tido a sensação dele querer fazer o telespectador rir em alguns momentos do filme), de andar esquisito e gestos tímido, sujeito retraído - no melhor estilo psicopata – e para exemplificar do que ele é capaz, sua primeira vítima é um policial estrangulado com tamanha naturalidade, afinal não se pode esperar menos de grandes assassinos da história do cinema. Quero só deixar claro que não estou elevando Chigurh a tal posição, nem pensei sobre o caso, mas é sem dúvida uma boa cena e que faz querer com que o filme continue.E como não poderia deixar de ser, sempre tem alguém entrando de gaiato na história. Llewelyn, um ex-oficial aposentado do NAM, casado e morador de um trailer, numa de suas caçadas pelo deserto (mais um sinal da masculinidade do filme) ao errar um tiro (ele não erra o tiro, apenas não o acerta em cheio) e motivado pela curiosidade – é como sempre repito “um dia ela te mata ou te deixa rico” e no caso dele... bom... melhor continuar... – ele acaba encontrando no local de caça um grupo de caminhonetes e cadáveres, resultado de uma negociação mal resolvida entre traficantes (como de costume em filmes americanos, os mexicanos estão sempre envolvidos), ele mais uma vez movido pela curiosidade, encontra quilômetros a frente um outro envolvido encostado numa árvore (naturalmente morto, se é que vocês me entendem) e com ele uma mala repleta de dinheiro (essa é a parte que ele fica rico).Se alguém ficou rico, consequentemente outro alguém ficou pobre e como é de se esperar se esse outro alguém for um alguém como Chigurh, certamente a história não terminará por aqui.O que chama a atenção no filme é a sua fotografia, realmente interessante, que resume toda a concepção do filme contribuindo muito com os belos planos gerais (o deserto é mesmo muito bonito), continuamente usados. Destaco também aqui a excelente direção dos elogiados irmãos COEN (Joel Coen e Ethan Coen) que dá boa unidade ao filme e que faz dele uma boa escolha nas gôndolas da locadora. Nessa história de gato e rato muita coisa acontece, por isso fiquem calmos por que não vou estragar a festa contando todo o filme, aliás, muita água ainda há de rolar, ou melhor, muitas balas.

Então, anotou a receita da tia? Tenha uma boa refeição e um bom divertimento. Até a próxima.

Extras – Cut ScenesDepois de assistir “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, fiquei pensando se ele – o filme – começando pelo titulo era uma clara referencia a “Teria da Evolução” de Darwin, contada de forma didática e moderna. Confesso que ainda não tirei minhas conclusões, mas estou definitivamente intrigado. Porque, de repente, o filme sirva como excelente dica aos professores de Ciências e Biologia para ensinarem seus alunos o que Charles Darwin quis dizer com a “Teoria da Evolução”, não vejo experiência de aprendizado mais promissora que essa. 

Luiz Fernando Pilz


Brigadeiro de granola

Perfeito para comer vendo filme!

1 lata de leite condensado
1 colher (sopa) manteiga
1/2 colher (chá) canela
3 colheres (sopa) granola (fica a sua escolha, se é pura ou aquelas cheias de castanhas, etc.)

Aqueça a manteiga em fogo baixo, quando derreter, acrescente o leite condensado. Misture bem e acrescente a granola e após misturar mais um pouco, acrescente a canela. Misture sempre para não grudar. Pronto. O ponto certo é o mesmo do brigadeiro.
Se você gosta de canela, é só colocar mais de acordo com seu gosto.

Bon appétit!

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