23 abril, 2008

Arroz integral


Denki Nabe


O velho monge se inclinava para baixo, a coluna não é mais como antigamente. A plantação talvez seja tão velha quanto ele, ou mais. Os pés tremiam um pouco devido à água gelada. Chamado nihon mai, o arroz japonês é uma variedade asiática que precisa ser plantada em charcos com muita água. Os tradicionais templos Zen possuem extensas plantações de arroz, e dizem que o próprio ato de plantação e colheita faz parte do processo de meditação desses monges – sem contar a própria subsistência alimentar. Hoje seria uma data especial para o monge, que receberia a visita de uma amiga. Nos arredores tudo parece à mesma coisa a pelo menos umas duas eras. A única coisa elétrica do mosteiro é uma, também não muito nova, denki nabe - panelas elétricas para cozinhar arroz, bastante comum no Japão. A própria panela foi um presente dessa amiga. Após colher o necessário, o velho monge estica a coluna estralando alguns vértebras, boceja e caminha de volta ao templo. Na cozinha ele mede a quantidade exata de água, e liga a tomada da panela numa tomada ligada a um gato clandestino feito há alguns anos. Uma bela mulher se aproxima da entrada do templo, veste um quimono bem adornado, difícil de ver atualmente, mesmo nos bairros mais tradicionais. Ela tem longos cabelos negros, pele de pêssego, seios fartos. Ao redor de sua cintura cordas feitas com palha de arroz enfeitadas. Ela toca um sino na entrada, e um "Já estou indo" é repetido três vezes. Fazia pelo menos dez anos desde que falou tantas palavras seguidas, e chegou a demorar alguns seguidos para desenferrujar as palavras saindo da boca, sendo o terceiro já estou indo o mais nítido. Ele abre a enorme porta da entrada, e sorri ao avistá-la. Ela o cumprimenta inclinando para frente. Ele diz "entre, entre, há quanto tempo...". O arroz demora poucos minutos para ficar pronto, ele a convida para sentar, ele trás as cumbucas, hashis e a panela. "Infelizmente não tenho algo mais elaborado...". Ela sorri com serenidade, diz que deu aquela panela para que um dia pudéssemos comer arroz juntos. Ela puxa um pouco o quimono, deixando aparecer seu calcanhar. O velho engole seco e se atrapalha, deixando cair um pouco de arroz sobre a mesa. "Já se passaram trinta anos, e você não envelheceu um dia sequer. Já eu estou velho, minha coluna não é mais a mesma, às vezes deixo o arroz queimar por causa da memória. Estou sozinho nesse templo esquecido, cuidando de uma plantação, meditando, rezando meus mantras – contando os dias de sua promessa. Esperava uma senhora venerável – claro que com a mesma estonteante beleza que sempre possuiu. Não tenho mais vergonha de dizer que já tive pensamentos impuros com você, quando mais jovem. Só resta esperar o dia que não acordarei mais. Minha companhia tem sido esta panela". Ela se aproximou dele, desatando o nó de seu quimono, chegou até seu ouvido e falou "Vamos ver a plantação". O monge e a mulher foram para os fundos do templo, e aos poucos tiravam suas roupas. A mulher se sentou, fixando bem suas pernas no chão úmido. Como raízes. O homem deitou em seu colo, onde adormeceu. Os cabelos da mulher desatavam folhagens, e seu quimono cor marrom endureceu. Os dois se enroscaram transformando-se em uma árvore. Os adornos da cintura agora rodeavam os dois. Dizem que essas cordas de arroz são usadas para demarca lugares sagrados, onde estão deuses ou espíritos. O arroz aos poucos, dentro do tempo foi esfriando. Mas dou-lhe a certeza que o sabor estava inigualável, e que continuou saboroso por muitos anos.

Samuel Gois


Arroz Integral

Minha preferência pelo arroz integral, é porque ele é simplesmente mais nutritivo que o arroz branco. O arroz passa por um processo de lavagem que retira suas cascas (a fibra nutritiva) até ficar branco e perdendo assim, mais da metade do seu valor nutricional.
A outra vantagem (essa é para os marinheiros de 1º viagem): pode errar na medida de água que não gruda!



1 xícara (chá) arroz integral
½ cebola picadinha
1 colher (chá) cominho em pó
1 colher (chá) coentro em pó
1 colher (café) de Alecrim
Sal e pimenta do reino preta a gosto

Frite a cebola no azeite, quando estiver levemente dourada acrescente o cominho e o coentro. Misture bem e deixe fritar mais um pouco. (O cheirinho é maravilhoso). Acrescente o arroz já lavado e frite o arroz até secar e começar agrudar na panela (mas só começar). Acrescente o triplo (arroz integral demora mais p/ ficar pronto) da medida de arroz de água, misture,acrescente sal e pimenta a gosto. Acrescente o alecrim misture e tampe a panela. Deixe cozinhar em fogo baixo até secar toda a água.

Bon appétit! 

2 comentários:

  1. foi o que comi uma vez? vou linka-la no meu blog.

    linke-me também >P

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  2. eu gosto muito de arroz integral, aliás, arroz, pão, macarrão... não sei que bobagem das pessoas de dizer que não tem gosto. vou indicar seu blog da próxima vez que ouvir isso.
    ;)

    esse fim de semana faço uma receita daqui. sem falta! :D

    e esse texto... vai esquentando, esquentando, esquentando... adorei!!

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