20 janeiro, 2015

Papetón de berinjela com coulis de tomate


Vivo com uma sensação realmente estranha: até quase um ano atrás, comer de tudo, sem carne, era algo comum, que todos na mesa compartilhavam. Ultimamente, costumam me olhar de cima em baixo, muitas vezes, sem disfarçar olhares invejosos que me incomodam extremamente, e sempre soltam algo do gênero "como consegue comer sem carne?" Se a pessoa está comendo junto comigo, analiso o prato dela (geralmente com tonalidades de amarelo predominante) e, quando respondo: "desse jeito aí é que não consigo". O que observo é a falta de criatividade ou variedade nos pratos, pois há sempre arroz e feijão, macarrão, tomate em molhos, pão, batata frita (ou batata cozida). Muitas vezes há variedade, mas de tipos de carne. E um punhadinho de acompanhamentos, as vezes verdes. Um país com tanta variedade de alimentos e uma população que não poe essa variedade no prato... eu não entendo. Minto, na verdade eu não entendo mais, porque um dia entendi e hoje me alimento completamente diferente de 10 anos atrás, mas precisei mudar de cidade (e estado) para isso. E a mídia não era tão massiva com a variedade de programas culinários nos ensinando novos horizontes alimentares...  

Na última visita da minha avó (que hoje tem 90 anos de idade, super lúcida, ativa, e com saúde de dar inveja a muitos jovens), enquanto eu preparava um ratatouille para o almoço de domingo, ela comentou como comemos bem melhor na nossa cidade hoje. Disse que há 60 anos atrás, quando ela se mudou p/ Cuiabá, só se encontrava mandioca, maxixe, carne, peixe, abóbora. Para quem veio do interior de São Paulo, filha de espanhóis, ela levou anos para se acostumar com a falta de variedade de vegetais. Contava ela, que a sorte foi conhecer pessoas que iam e vinham muito de São Paulo e traziam mais vegetais. Sei o que é isso, ao contrário. Antes de me mudar para São Paulo, comia mal. Arroz, feijão, bife e farofa e pra variar, macarrão com molho de tomate, pizza, etc. Meus pais trabalhavam fora, o dia todo, e por isso nossa (minha e dos meus irmãos) alimentação dependia das nossas cuidadoras. "Eu nunca entendia como elas carregavam no óleo, naqueles mesmo pratos de sempre", dizia minha mãe, que mesmo ela ensinando como cozinhar para seus filhotes, ela tem certeza que nem sempre era obedecida a ordem. Foi em São Paulo que conheci a variedade dentro de casa, porque é fácil e barato conseguir mais vegetais. As feiras de rua que tem para todo o canto de São Paulo até hoje, mostra a alimentação da maioria da população dali.  Quando mudei para a Paraíba, já havia me tornado vegetariana (a fase radical) e vi que se não abrisse mão das minhas crenças, ia ficar doente rapidinho. Uma dificuldade parecida com a que minha avó contava, eu encontrei por lá. Parecida em termos, porque hoje em dia se acha de tudo em qualquer lugar, só que menos variedade e mais caro, resumindo sempre ao que os supermercados te oferecem, nem sempre saborosos. 

Mas porque hoje em dia, mesmo com tanta variedade, as pessoas ainda não comem mais vegetais, a não ser que foi criado desde pequeno a se alimentar bem? Minha opinião é de que não sabem preparar. E como eu já disse isso em inúmeros artigos deste blog, não vou repetir. Vou agora compartilhar mais formas mais saborosas de comer vegetais, como este Papetón de berinjela com coulis de tomate. Receita do meu material do curso de gastronomia, adaptada aos ingredientes encontrados por aqui. 
Para esta receita, você vai precisar de: 


Papetón: lista de ingredientes

Ao comprar berinjela, prefira as pequenas, as mais novas. Pois quanto maior a berinjela, mais velha ela é e mais amarga será, por conta da quantidade de sementes. 
1. Lave bem e corte a berinjela em cubos de 1cm (corte mirepoix). Se só encontrar grande, descarte a parte central, cheia de sementes.
2. Refogue no azeite as cebolas bem picadinhas (o famoso corte brunoise). Acrescente o alho picadinho, quando começarem a dourar, acrescente a berinjela e sal.  
3. Abaixe o fogo, tampe e cozinhe uns 5 minutos. Tire a tampa e acrescente folha de louro e tomilho. Cozinhe até a berinjela ficar transparente. Se precisar de líquido, já que a berinjela chupa muito, acrescente um pouquinho de água. Tempere com sal e pimenta.
4. Enquanto isso, bata os ovos e tempere com sal e pimenta. Misture bem à berinjela. Retire a folha de louro.  


formas de empada

5. Unte forminhas com azeite (forminhas de flan dão uma boa altura, mas usei de empada);
6. Distribua a mistura de berinjela nas formas, enchendo apenas 2/3 de cada. Cubra com papel alumínio e faça pequenos furos. 
7. Cozinhe em banho-maria por cerca de 20 minutos em forno médio. Reserve um que será a prova. Se estiver firme, e não soltar nada no palito (verifique igual verifica o ponto de um bolo), está pronto.

Para o coulis de tomate você precisa de:


Coulis de tomate: lista de ingredientes

Prepare enquanto assa os papetón. 
1. Numa panela, coloque o azeite e esquente. Desligue assim que formam aquelas linhas no azeite, como o da foto:


Ponto exato de desligar o fogo

Coloque o alecrim e tampe por uns 15 minutos. Depois, coe o azeite. 
2. Lave bem os tomates. Se orgânicos, mantenha os do jeito que estão, tirando apenas o pedúnculo. Se não, tire a casca dos tomates, reservando algumas. 
3. Num processador, coloque todos os ingredientes (exceto o azeite). Enquanto bate, acrescente o azeite em fio para emulsionar. No caso de usar tomates sem pele, acrescente aos poucos algumas peles, para dar uma melhor consistência. 
4. Coar e servir sobre o papetón. 


Finalizando o prato... 

Seja feliz!!!


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29 dezembro, 2014

Menu para o ano novo

Minha versão de Mjadra para o site Menu Desconstrução


O trabalho tem me mantido ausente deste blog. E minha inteligência tem se ausentado durante o trabalho... Não é menosprezo, mas voltar da Europa com uma mala carregada de experiência e conhecimento e se deparar com um local que custa mais caro do que eu encontrava lá, mas com o nível muito mais baixo, é de emburrecer qualquer um! E de acordo com meus objetivos (que sofrem mutações constantes na prática), é necessário esquecer as tradicionais maneiras de trabalho e sustento, pois o tradicional está mais do que corrompido neste país. Exceto para os grandes Chefs que têm conseguido elevar a gastronomia desse rico país, resgatando ingredientes e sabores já esquecidos por causa da imitação do mal hábito americano de encarar a alimentação. 



Canelone de escalibada de Pep Nogué 

Este blog é um espelho das minhas convicções na área. Já passou por uma fase radical e como tudo no mundo não é permanente, continua em constante mutação. Eu não sou mais vegetariana e nem radical. Voltei a comer peixe e frutos do mar, opto apenas por ovo e galinha caipira (nas raras vezes que como frango) e muito queijo. Em apenas 2 anos de mudança de profissão, colho o resultado da falha proteica causada pela antiga dieta. A dieta vegetariana (e para quem come pouco) é ótima para quem trabalha utilizando o intelectual. Para quem usa o corpo, é complicado sustentar essa dieta, já que o músculo necessita se alimentar bem para aguentar o trabalho. E músculo se alimenta de proteína. E ponto final. 


Joia Ristorante


Conciliar trabalho intelectual com trabalho braçal na área da cozinha, nos métodos tradicionais, é complicado. Ou você é o peão aguenta rojão naquele calor dos infernos ou você é o dono. "Quem trabalha na área de hotelaria deve ter corpo de atleta" me disse Kusum Modak, mestre criadora do método Yoga Massagem Ayurvédica, em janeiro deste ano na nossa despedida. E só agora começo a aceitar que meu corpo não aguenta bem a forma como eu gostaria de trabalhar. E só agora começo a aceitar que minha mente não aceita bem a forma como (a maioria) os empresários brasileiros trabalham a gastronomia. Sem dinheiro para abrir um negócio próprio (no momento), é preciso se reinventar. 


Carpaccio de cogumelos da Escola Bell Art (aulas de cozinha vegetariana)


Durante meu curso de gastronomia na Espanha, tive contato pela primeira vez com a alta gastronomia vegetariana. Também pela primeira vez, vi essa rica culinária sem ares de natureba, hippie e muitos outros preconceitos que costumam acompanha-la. Vi pratos lindos, apetitosos, autênticos, charmosos e cheios de frescura também, como qualquer outro prato apresentado pela alta gastronomia. No Brasil ainda há muita cara feia quando se menciona o simples termo "vegetariano", enquanto na Europa e em alguns países da Ásia é, simplesmente, comum. Todo país tem seus ricos pratos sem a necessidade de carne, como a Itália e suas massas com seus deliciosos molhos, como o Pesto, e Putanesca. Dois restaurantes vegetarianos europeus conceituadíssimos não me deixam mentir: O Hiltl (em Zurique, Suiça) e o Joia (Milão, Itália). O primeiro tem o título de restaurante vegetariano mais antigo da Europa (com 116 anos hoje) e o segundo carrega a fama de ser o único vegetariano com estrela Michelin.  Na Europa, as pessoas sabem fazer uma refeição sem carne sem o menor problema. E apreciam o prato dessa maneira. 


Rigatoni de Jamie Oliver

"Para que tanta carne em um dia se não vou queimar isso tudo?" Se vangloriava um amigo que se dizia saudável. Como muitos já sabem, o corpo precisa é de proteína e não a carne em si. Mas é verdade que a melhor fonte de proteína é a carne. Seu animal preferido (provavelmente herbívoro) se alimentou e metabolizou os aminoácidos completo (vulgo proteína) pra você. Coisa que seu corpo também sabe fazer se souber se alimentar. O problema é que muitos carnívoros de alguns países (pois não são todos que não sabem comer e nem preparar vegetais gostosos) comem poucos (ou quase nenhum) vegetais durante o dia. E ingerir excesso de proteína sem vitaminas, minerais e fibras (encontrados somente em alimentos vegetais), dificulta a capacidade do corpo de metabolizar seu bife. E dependendo do seu biotipo, não demora a aparecer os problemas decorrentes de uma dieta excessivamente carnívora. 


Hamburguer vegetariano do Hiltl


Não é necessário virar vegetariano para se alimentar bem. Mas aconselho aprender mais sobre o termo para quem quer melhorar a alimentação. Ampliar as fontes de nutrição melhora a saúde e lhe dá novos prazeres, afinal, muitos cientistas afirmam que não gostar do que se come, além de triste, faz mal à saúde (e também engorda). Não só a carne e a gordura animal são saborosos. Tem tanta coisa gostosa nesse pontinho azul na imensidão do universo que é injusto chamar só os animais de gostosos. Também não devemos cortar ingredientes se REALMENTE não temos problemas com ele, como muito se fala hoje do glúten e da lactose. Modismo não deveria ditar as regras do seu corpo.  


Aperitivo de alcachofra da minha mamis



O assunto que está em voga é a alimentação balanceada, que nada mais é: nada de excessos nem faltas. Apenas manter o equilíbrio na hora de comer. Ainda não completou nem um século que a maioria das pessoas migraram dos trabalhos braçais para os intelectuais. Mas continuamos comendo como se puxássemos carga o dia todo. As pessoas são cada vez mais dependentes de empregados e tecnologia, mas ainda comem como um peão de obra. Há que comer não só de acordo com a região e o clima onde se vive, mas também, de acordo com o estilo de vida. Em contraponto, é só ler qualquer livro de administração de pessoas para verificar o óbvio: o ser humano é avesso a mudanças. E para confirmar, basta ler qualquer livro de filósofos e outros pensadores, escritos há mais de 2.000 anos atrás (a humanidade não começou com Jesus Cristo) e verificar que, moralmente, nada mudou. Fato que sempre me levanta a dúvida se estamos, realmente, evoluindo moralmente. A tecnologia deu um salto tão grande em tão pouco tempo... porque não seguimos o mesmo ritmo? Porque exige mente aberta, novos conhecimentos e constantes mudanças no modus operandi até encontrar uma melhor forma que irá desejar ser reinventada constantemente. E com a alimentação não é diferente. 



O delicioso Veggie Burger da lanchonete paulista America


Para 2015, desejo a todos que abram suas mentes, aceitem a si mesmo em suas constantes descobertas e preparem seu corpo para a realização dos desejos de uma vida melhor. 


Ps: Dentro do texto, há links para artigos que explicam melhor cada tema abordado, como uma retrospectiva. 
Ps1: Confesse que essas fotos dão fome! Todas são vegetarianas. 
Ps2: Foco em receitas vegetarianas a partir do ano que vem (semana que vem!) que poderão ser vendidas para quem mora em Cuiabá. 
Ps4: é caro e nem quero ter um porque não tem Mario Kart. 
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01 setembro, 2014

A festa da banana


Em março deste ano, acompanhei minha mãe (a pedido dela), numa fiscalização de obras na comunidade da Mutuca no município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Ali residem várias famílias quilombolas que vivem da cultura local, plantando milho, arroz, feijão, banana, dentre outros, além do artesanato, produção de farinhas, etc. Eles nos contam que foram 47 anos de luta contra a escravidão e os fazendeiros, até que em 1997 foi criada a hoje denominada Associação da Comunidade Negra Rural Quilombo Ribeirão da Mutuca, e finalmente possuem suas terras legalizadas. 

Todos ali são pequenos produtores rurais sobrevivendo da própria terra. Resistindo há séculos a ganância dos grandes produtores, eles se mantêm unidos e a todo custo buscam manter o cultivo de uma das vedetes da culinária brasileira: a banana da terra. 

Para quem não sabe, os mato grossenses em geral são apelidados de papa banana. Em Cuiabá, é comum nas casas de famílias mais tradicionais a banana acompanhar qualquer prato. É tão requisitada quanto a farofa. Melhor ainda se for farofa de banana. Por ser menos doce e mais rica em amido, é melhor comê-la frita, assada, cozida... nham!

O município de Nossa Senhora do Livramento foi um grande produtor dessa iguaria. Hoje existem pouquíssimas plantações por causa da agricultura extensiva que está acabando com a vegetação e a tradição do Estado. A festa da banana começou com a intenção de manter a tradição do cultivo e da cultura local. Agora no seu 6º ano, se tornou uma boa fonte de renda para os produtores da comunidade, além de se divertirem numa festa regada a música, artesanato e muita, muita banana em diversos produtos comercializados ali. 

Hoje, muitos mercados e supermercados compram banana de outros estados para revender. É estranho uma população ter que 'importar' sua tradição. E por isso eles criaram a festa.  

Lembranças dos outros anos de Festa. 
Este ano, a festa ocorreu no dia 06 de julho e foi divulgada em alguns jornais locais. Em março, quando conheci a Laura Ferreira (organizadora da festa e residente local), comentei -quando ela fez o convite - que era meu aniversário e eu não sabia se estaria por aqui. Ela exclamou que o melhor de tudo é que eu não precisaria organizar uma festa, pois já tinha uma. Dito e feito. Naquele domingo ensolarado, fomos nos empaturrar de banana na VI Festa da Banana Quilombola. 

Pela parte da manhã teve apresentação de danças típicas como o Cururu, o Siriri e algumas danças de origem africana. 


As vendas dos produtos locais iam de vento em popa. Tinha melaço de cana, mel, banana frita, frutas em conserva, licor de banana e outras frutas, rapadura de banana, furrundu, bala de banana e muitos outros. 


 A banana frita mereceu um close. É o melhor tira-gosto (na minha opinião) da face da terra!


Ainda pela manhã teve uma oficina para ensinar fazer farinha de banana da terra. Na festa estavam presentes estudantes de gastronomia de uma universidade local, e nem preciso dizer que eles dominaram a oficina. Por causa da aglomeração em torno da pequena mesa montada para demonstração, não consegui tirar fotos do passo a passo. Mas anotei tudo:

Preparação da oficina. Foco no pilão ;)
Precisa apenas de banana da terra verde. 1. Lave as bananas (inteiras) esfregando bem sua casca. 2. Com uma faca, descasque as bananas. 3. Reserve o interior das bananas para outras receitas. 4. Espalhe os pedaços de casca na assadeira e seque-as em forno brando durante 3 ou 4 dias. 5. Coloque as cascas num pilão e soque até formar a farinha. Para os sem força, pode usar um liquidificador ou outro aparelho que facilite a vida. Prontinho. 


A dona desse delicioso bolo acima nos contou que eles substituem a farinha de trigo pela farinha de banana em muitas receitas. E que o resultado é o mesmo quando se usa a farinha comum. Tá aí uma ótima dica para os celíacos. 


No início da tarde o povo tava com fome e o almoço foi liberado. Foi servido arroz branco (reparem no prato desfocado no canto inferior a direita) e um guisado de feijão, carne e banana, é claro. E farofa. Eu não provei por conta da carne (e também já havia me empanturrado de chips de banana), mas todos na mesa lambiam os beiços e não deixaram sobrar nada. 

Pausa pra um espetinho e uma prosa após o almoço. 
De pança cheia, a ideia era descansar. Depois de tomar garapas para espantar o calor e quebrar o gosto salgado do almoço, foi a vez do desfile para promover a garota da festa da Banana de 2014.  A organizadora teve de chamar pessoas de fora da comunidade para uma eleição justa. O que não durou muito tempo e foi uma divertida confusão. Familiares e amigos das garotas berravam quem tinha que ganhar. Ou cada vez que suas favoritas apareciam. A solução foi os jurados desconhecidos elegerem as 3 melhores em cada categoria (mirim e juvenil) e a vencedora foi elegida pelo voto popular. 


Depois de muito alvoroço, foi elegida a que tinha mais torcedores. Foi uma festa! 

  

E como não pode faltar em nenhuma festa matogrossense, uma banda local de lambadão subiu ao palco e botou todo mundo pra dançar. O salão ficou pequeno para aquela quantidade de casais que sabiam como ninguém requebrar os quadris. 



Foi uma festa bonita, repleta de comida boa, conversa fiada, bebidas e tradição. Na hora do 'baile', ninguém ficou de fora. Todos comemoravam mais um ano de sucesso da Festa da Banana. 


Quando nos despedíamos para ir embora (e pegar a estrada antes de anoitecer), Laura (a organizadora da festa) disse-me que tinha uma torta pra mim. Pensei em um pedaço ou algo do gênero e lá veio ela com um bolo inteiro só pra mim dizendo: eu não me esqueci do seu aniversário! Eu só a vi uma vez (quando a conheci). Mas seu gesto foi tão, tão significativo que até hoje não sei explicar o que senti quando ela me disse eu não esqueci e preparei um bolo pra você. Principalmente, quando o único gesto carinhoso recebido nesta data veio de alguém quase desconhecido. Foi uma excelente festa! 

Laura, o bolo e eu (segurando o choro)
Um bolo básico recheado com creme de coco e uma deliciosa crosta de banana... Não durou 5 dias! Pretendo voltar à comunidade para recolher inúmeras receitas, incluindo a do bolo.

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25 agosto, 2014

Under Construction

Meus amigo(a)s, 



Perdoem-me a ausência! Estive viajando e na semana que voltei, iniciei um novo emprego que tem tomado muito do meu tempo livre. 
Aos poucos vou acertando meu horário e espero logo voltar a compartilhar mais estudos com vocês. É que ultimamente estou focada no meu trabalho. 

Falando nisso, para quem vive em Cuiabá, digo que estou desenvolvendo saladas de acordo com meus estudos em biodietética e nutrição ayurvédica. Toda noite sirvo uma salada diferente de acordo com a mercadoria que a loja recebe no dia, entre outros. Tudo eu mesma que preparo, como os croutons, carpaccio, torradas, dressings (molhos), etc. A combinação de ingredientes faço de acordo com preceitos ayurvédicos, e descobri médicos alopatas utilizando a mesma tabela de combinação de alimentos, com explicação mais ocidental. Essa tabela vou disponibilizar aqui em breve. Ela visa promover uma melhor digestão durante as refeições, dando aquela sensação de leveza após devorar um belo prato. 

salada do dia no meu instagram @quelv


O espaço abriu há apenas 2 semanas e além da famosa padaria (para quem já conhecia a Estação do Pão), há um empório gourmet, lanchonete e cafeteria. Para quem não conhece e para os desatualizados de plantão, a loja foi aberta no sistema Soft Opening, uma excelente maneira de testar os serviços antes mesmo de definir a proposta final. Sem propaganda, sem nada. O público ajuda a reconhecer as falhas e seria educado dizer aos gerentes de plantão suas opiniões. De um modo geral, o público está gostando, não só a arquitetura do local, algo inexistente na cidade com pouquíssimas (para não dizer nenhuma) atrações do gênero, mas também produtos que antes não se encontrava por aqui. Mas relaxem, não vão esperando encontrar de tudo porque o mercado não é tão grande, mas é rico. 

Curtam e conheçam a fanpage da Padaria do Moinho. Aproveitem para deixar suas impressões, sugestões, etc., durante essa fase de testes, ao invés de bancar o advogado do Diabo e esbanjar toda falta de finesse e educação que muitos brasileiros, infelizmente, têm. 
Eu já rodei meio mundo e posso dizer que está a altura de estabelecimentos de muitos países europeus. Vi um restaurante em um posto de gasolina próximo a Lausanne (Suiça) com uma proposta similar, mas bem menor.  
Um segredo: meu sonho é ver o dia que nosso país vai dar um fim na desigualdade social. Para vocês que viajam o mundo, já devem ter notado que não existe escravos nos países de primeiro mundo (bem... isso é bem menor e escondido em alguns, rs). As pessoas se servem, empacotam, jogam a sujeira no lixo, devolvem o prato numa bancada, etc... Nada de escravos e funcionários são iguais os clientes (como seres humanos). Portanto, respeitem a nova proposta ;-)     

Enquanto isso, postarei artigos que já estavam engatados e receitas. Volto em breve!
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12 julho, 2014

História da Alimentação


Segue o link de um site interessante sobre a história da Alimentação, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Criado pelo prof. Carlos Roberto Antunes dos Santos e mantido por uma equipe de pesquisadores da área, o site oferece diversos estudos, dicas, resenhas, notícias e materiais sobre o vasto campo da alimentação, através da História. 

História da Alimentação. História, Cultura e Sociedade. 
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10 julho, 2014

Sopa de abobrinha menina


Essa temporada na casa dos meus pais tem me ajudado a observar umas coisas interessantes sobre a mídia e sua criação de problemas. Agora me toquei que já fazem 13 anos que sai daqui. Me lembro que era raro o inverno (como conhecemos nos livros de geografia) ocorrer aqui. Frio só quando vinha alguma frente fria do sul e conseguia passar a barreira da densa vegetação existente. O inverno em Cuiabá era a mesma coisa que o verão, com a diferença apenas da chuva (no verão chove pra caramba e no inverno é seco, seco). Quando chegava uma frente fria, não durava 3 dias. O ruim era apenas a mudança brusca de temperatura. Um dia com seus 40º e no outro amanhecia perto de 10º. Pra sentirmos frio tinhamos que viajar. 

Mas em 2003 um senhor com cara de boa pinta assumiu o governo do Estado. Ele é famoso. Em 2005 recebeu o prêmio moto-serra de ouro (criado pelo Greenpeace) do programa Pânico (quando era interessante) pelo desmatamento desenfreado que ele promoveu, tudo em nome da soja. Ele é conhecido como o rei da soja para quem não sabe. Minha mãe trabalhou muitos anos num órgão ambiental do estado que foi 'desativando' a partir do seu mandato. Ele foi acusado de usar agente laranja no início do seu desmatamento, mas até hoje o tema é abafado, pouco falado e nada foi comprovado... Bom, algo ele fez em 2 anos para desmatar tão rapidamente. Foi através dos relatos da minha mãe dos seus trabalhos pelo interior que eu aboli a soja do meu cardápio. Nessa época eu já morava fora, e sempre que nos encontrávamos ela vinha com estudos e mais estudos da "limpeza" que é a produção desses desertos verdes. Desconfio que a desenfreada campanha de que a soja faz bem pra saúde, foi um jogo de marketing de quando o Brasil (e o rei) perderam muitas vendas de exportação porque os gringos não queriam mais aquela soja com tanto veneno adicionado. (Não acredite na mídia, venha por aqui e viaje pelo interior e converse com fazendeiros, trabalhadores, médicos e moradores de cidades próximas as grandes fazendas.) Mato Grosso, como todo estado brasileiro, tem sua má fama. Terra de bandido, terra sem lei, terra da agropecuária, terra da agricultura promissora... Em geral, pessoas de fama elevada figuram entre 2 desses apelidos. 

Tudo isso pra dizer como é difícil comer bem em determinados lugares. Um estado tão rico (só para os bandidos, latifundiários e fazendeiros) mas péssimo de se encontrar comida, variedade, comida de verdade. As pessoas tem uma mania horrenda de menosprezar o nordeste, que mesmo com seu coronelismo  e problemas, as pessoas são mais inteligentes, esforçadas e possuem mais variedade de comida do que eu vejo aqui (é que eu morei lá por 5 anos e era mais feliz nas compras de casa). Numa terra cuja a média é 40º ao meio dia anualmente, as pessoas comem muita carne, coisas gordurosas e o cardápio não é nada variado. E tem muita gente gorda! Um lugar quente desse deveria manter árvores para amenizar o calor e promover um melhor deslocamento a pé para os cidadãos emagrecerem. Mas não... É mais legal exibir os carros caros nas avenidas com asfalto deformado pelo calor. Dubai com aquele calor de 50º faz melhor, não têm árvores, mas tem tanto rico que quer andar pela cidade como num tapete vermelho lisinho... Os ricos de lá são mais inteligentes que os nossos. 

Outro dia eu escutei uma senhora ensinando a uma amiga como escolher os produtos num supermercado. Eu fiquei de butuca ouvindo e fui falar com ela assim que ela acabou aquela mini-aula. Ela me ensinou uma feira que existe toda quinta-feira, na igreja Boa Morte, no centro. Custei a ir porque é completamente fora de mão de onde moro. Mas nem mesmo o mercado mais famoso da cidade (o do Porto) oferece produtos livres de ganância.  Lá é bom para comprar peixe (não sei como inflacionou tanto de uns anos p/ cá, já que os rios andam bem sujos...), queijos da região entre outros produtos. Verduras e frutas a maioria vem de fora. Eu perguntava em todas as bancas que eu passava onde eles plantavam, e TODOS me responderam sem jeito que eles compravam de outra pessoa, que comprava de outra que talvez seria o produtor. Um ou outro, dos balcões com produtos não perfeitos, eram os próprios produtores. E eu ainda não encontrei alguém que venda tantos temperos e folhas e chás como lá. Mas também não descobri de onde vem.

Mas já temos um esquema aqui em casa para ir na feira lá dos cafundó do centro toda quinta-feira. E é lá que compro os vegetais da casa. É lá que compro as ervas e plantas para o pequeno jardim que estou montando. É lá que eu lembro que comida de verdade tem gosto. A feira é pequena e nem todos os produtores estão ali com seus produtos. Há atravessadores e alguns você nota que algum produto químico foi usado. Mas há várias opções. Nas minhas aulas na Espanha descobri que assim como as palavras sustentável, natural, etc. vem sendo má usada em todas as áreas profissionais, a palavra orgânico também. Eu acreditava que as coisas eram melhores na Europa... Não. A situação é a mesma. A diferença é que lá existe uma quantidade maior de pessoas interessadas em produtos frescos e saudáveis. Por isso as brigas são maiores e é mais fácil encontrar esse tipo de produto. É a população quem garante a demanda! Para um produto receber na embalagem o nome orgânico, ele precisa pagar uma taxa que paga os estudos feitos com seus produtos para a garantia do que afirma. Os pequenos produtores nem sempre podem pagar uma embalagem, muito menos o que vai escrito. E até os produtos orgânicos necessitam levar uma dose de determinados produtos químicos (em quantidade muito menor e de qualidade nem sempre melhor) para poder ser comercializado. Na dúvida estude o site da ANVISA (no caso do Brasil). (Quando eu estudava o caso da minha monografia 2007/2008), vi que muitas leis nossas na área ambiental são apenas traduções de leis estrangeiras, muitas dos E.U.A. A área de saúde/alimentação também é repleta de leis traduzidas, levemente adaptadas.) A única forma de garantir comida limpa é você conhecer tanto de comida, quanto o produtor que lhe fornece. E em geral, ele não coloca a palavra orgânico nos seus produtos. Foi com essas palavras que meu professor Pep Nogué encerrou sua matéria. E foi assim que aprendi mais um movimento para promover a saúde.  

Um assunto emendou no outro, mas o único lado bom de uma terra tão desmatada é que agora temos mais frio! Sim, a barreira de vegetação da frente fria morreu, e agora temos mais dias frios durante o inverno. E por isso, toda noite, venho provando a teoria de que um vegetal orgânico é muito, mais muito mais saboroso que os vendidos nos supermercados. Cada dia eu faço uma sopa diferente sem usar nenhum tipo de caldo (uso apenas a água de cocção do próprio vegetal), escolho uma ou outra erva da minha mini horta ou temperos, tentando sempre realçar o sabor do vegetal apenas e sem passar de 5 ingredientes. E o resultado... fantástico! É bom lembrar toda noite que ainda existe comida naturalmente gostosa.

Sopa de abobrinha menina 
(receita para 3 pessoas)

   
Lave bem a abobrinha e corte em cubos. Coloque tudo numa panela e encha de água (não posso falar até cobrir porque os elementos flutuam. Coloco cerca de 2 litros). Cozinhar até ficar bem macia. Coe e reserve toda a água. Triture com a sálvia (pra 1kg de abobrinha eu uso cerca de 10 folhas pequenas de sálvia), sal e pimenta. Acrescente a água de cocção aos poucos até alcançar a consistência desejada (creme, caldo, etc.). Volte ao fogo (se necessário) e acerte o tempero. Pronto! 
Guarde a água restante na geladeira pra cozinhar arroz, ou o que mais precisar de um caldo nutritivo. 

Para acompanhar, pode servir com croutons, pães, o que quiser. Nesse dia eu me desesperei quando vi que passou o dia e havia comido pouca proteína (desde a bronca dos médicos por meus músculos fracos, venho monitorando religiosamente minha quantidade diária).  Como eu não quis fazer outras combinações, apelei para os ovos caipiras da geladeira. 

Ovos mexidos 
Ovos (conto 1 ovo por pessoa)
sal 
pimenta
páprica

Misturar tudo em uma tigela. Na frigideira já quente com pouco azeite, não pare de mexer os ovos. Essa não é a maneira correta de fazer ovos mexidos, mas eu queria essa consistência, mais firme e mais "crocante". Quando o ovo já está bem cozido, dou golpes com a colher (de pau) na frigideira para ficarem em pedaços. Eu gosto quando estão bem dourados. 

Picar salsinha fresca para decorar e acrescentar vitamina C ao prato.  
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09 julho, 2014

Regra 2: Não coma nada que não pareça comida da sua bisavó.

Regra 2:

Não coma nada que não pareça comida da sua bisavó


Imagine que a sua bisavó (ou tua avó, depende da sua idade) caminha com você pelos corredores do supermercado. Parem na frente da geladeira de sobremesas. Pegue um tubo de gelatina... Sua bisavó não tem a menor ideia do que tem esse envoltório de plástico colorido e uma espécie de gel com sabores dentro. É comida ou pasta de dente? Atualmente, os supermercados colocam a venda milhares de produtos comestíveis que nossos antepassados não reconheceriam como alimentos. O motivo para evitar esses produtos tão processados são muitos e vão além dos diversos aditivos químicos e dos derivados do milho e da soja que contém, fora o plástico que foram embalados (muitos provavelmente tóxicos). Hoje em dia, os alimentos são processados pensando, especificamente, em aproveitar nossas debilidades reprodutivas para comprar e comer mais: nossa preferência inata pelo doce, gordura e sal. São sabores difíceis de encontrar na natureza mas podem ser fabricados facilmente e por pouco dinheiro. Assim, os cientistas da indústria da alimentação podem utilizá-los e conseguir, pelo processamento, que consumimos estas raridades em uma quantidade muito maior do que seria bom para o nosso organismo. A regra da bisavó vai te ajudar a evitar que muito desses produtos vão parar no seu carrinho de compra. 

Obs: Se a tua bisavó cozinhava ou comia muito mal, pode mudar para a bisavó de algum amigo. As bisavós do mediterrâneo são as que dão melhores resultados. 

As regras seguintes aperfeiçoam esta estratégia e te ajudam a caminhar melhor pelo terreno pantanoso das etiquetas de ingredientes. 


Fonte: Food rules, an eater's manual - Michael Pollan
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