15 junho, 2017

Anko - recheio do tradicional Daifuku Mochi



Foto: http://sfukendo.wordpress.com


Entrar na confeitaria Ochiai (Barcelona, Espanha) é um desafio à dieta, mas devidamente recompesada pelo prazer de saborear cada detalhe e saber que tudo ali é feito com excelente matéria-prima. Aliás, este é o detalhe mais importante para o confeiteiro Takashi Ochiai: a qualidade da matéria-prima.

Takashi Ochiai, formado na Ecole de Patisserie de Tokio, conta que desde jovem já se interessava pelo doce mundo da confeitaria. Filho de camponeses, teve de sair de casa aos 15 anos, do pequeno povoado de Kamiebata (Japão). Durante o início da sua independência em Tokio e ao ver o preço das escola de patisserie, foi trabalhar na fábrica da Nissan no período noturno (salário maior). Saiu assim que conseguiu o dinheiro suficiente e hoje completa 45 anos de carreira. E o quê o ingressou na confeitaria e o mantém até hoje? A curiosidade! Ochiai queria saber porquê o bolo cresce dessa maneira, porquê os mochis não podem sair perfeitos, etc. Sua curiosidade o mantém na ativa e estudando até hoje. Quase todos os anos ele vai à Tokio e em cada viagem passa pela sua antiga escola para se inteirar das novidades. E quando volta, além de ideias, traz consigo produtos para elaborar suas famosas (e deliciosas) sobremesas japonesas.

Fique a vontade para entrar e degustar cada pedacinho do Japão e da Catalunha  na confeitaria (ou a casa de disfrute) de Takashi Ochiai. O que a gente sugere? Somos suspeitos para dizer de quem somos fã, mas você pode provar as deliciosas variações de mochis, o lemon cake, o bolo kastera (o tradicional e o de matcha), os dorayakis, as trufas de matcha, os croissants, os sorvetes... Um dos poucos lugares onde cada centavo vale muitíssimo a pena!     

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Esta é a receita do Chef Takashi Ochiai, do tradicional anko. Em Barcelona, tive o prazer de estudar e estagiar com ele. Uma das pessoas mais detalhistas e perfeccionista que eu conheci, característica importantíssima para um confeiteiro. 

http://www.ochiaipastisseria.com


Ingredientes:

1kg de feijão azuki
1kg de açúcar
água

Como fazer:

1. Cozinhe normalmente o feijão com bastante água. Um mínimo de 1/2 hora contando de quando começou a ferver; 
2. Coe 3 vezes;
3. Volta a panela e acrescente o açúcar. Desligue assim que ferver. Descansar por uma noite. 
4. Coe e reserve a calda;
5. Leve a calda ao fogo (de preferência numa panela de boa condução de calor. Na confeitaria ele usava uma de cobre, larga). Deixe ferver até formar bolhas grandes. Acrescente o azuki. Não pare de mexer! Vai ficando denso, denso, chame o mais forte da casa nessas horas! 
5. Está pronto quando estiver bem denso e soltando facilmente do fundo da panela.  


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24 maio, 2017

Salada de pepino e Tofu com vinagrete de gengibre

Uma refrescante (e digestiva) opção de salada!
Foto do meu acervo pessoal

Ingredientes:

350g pepino
250g tofu de consistência firme
200ml azeite
50ml vinagre de maçã
10g gengibre fresco
5g gengibre em pó
sal a gosto
pimenta do reino a gosto

Como fazer o vinagrete de gengibre:

1. Dissolva o gengibre em pó no vinagre. 
2. Descasque e rale o gengibre fresco. Adicione-o ao vinagre. 
3. Acrescente o azeite em fio, aplicando a técnica de emulsionar (misturar dois líquidos que normalmente não se misturam com movimentos rápidos circulares).
4. Tempere a gosto com sal e pimenta.

Como preparar a salada:

5. Lavem bem o pepino e corte em rodelas. 
6. Escorra o tofu. Corte em quadrados (o tamanho do quadrado deve ser proporcional ao tamanho do pepino).
7. Intercale pepino e tofu numa travessa ou prato fundo. Regue com o vinagrete de gengibre.

Ps.: Prepare esta salada com um dia de antecedência para acentuar seu sabor.  
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20 janeiro, 2015

Papetón de berinjela com coulis de tomate


Vivo com uma sensação realmente estranha: até quase um ano atrás, comer de tudo, sem carne, era algo comum, que todos na mesa compartilhavam. Ultimamente, costumam me olhar de cima em baixo, muitas vezes, sem disfarçar olhares invejosos que me incomodam extremamente, e sempre soltam algo do gênero "como consegue comer sem carne?" Se a pessoa está comendo junto comigo, analiso o prato dela (geralmente com tonalidades de amarelo predominante) e, quando respondo: "desse jeito aí é que não consigo". O que observo é a falta de criatividade ou variedade nos pratos, pois há sempre arroz e feijão, macarrão, tomate em molhos, pão, batata frita (ou batata cozida). Muitas vezes há variedade, mas de tipos de carne. E um punhadinho de acompanhamentos, as vezes verdes. Um país com tanta variedade de alimentos e uma população que não poe essa variedade no prato... eu não entendo. Minto, na verdade eu não entendo mais, porque um dia entendi e hoje me alimento completamente diferente de 10 anos atrás, mas precisei mudar de cidade (e estado) para isso. E a mídia não era tão massiva com a variedade de programas culinários nos ensinando novos horizontes alimentares...  

Na última visita da minha avó (que hoje tem 90 anos de idade, super lúcida, ativa, e com saúde de dar inveja a muitos jovens), enquanto eu preparava um ratatouille para o almoço de domingo, ela comentou como comemos bem melhor na nossa cidade hoje. Disse que há 60 anos atrás, quando ela se mudou p/ Cuiabá, só se encontrava mandioca, maxixe, carne, peixe, abóbora. Para quem veio do interior de São Paulo, filha de espanhóis, ela levou anos para se acostumar com a falta de variedade de vegetais. Contava ela, que a sorte foi conhecer pessoas que iam e vinham muito de São Paulo e traziam mais vegetais. Sei o que é isso, ao contrário. Antes de me mudar para São Paulo, comia mal. Arroz, feijão, bife e farofa e pra variar, macarrão com molho de tomate, pizza, etc. Meus pais trabalhavam fora, o dia todo, e por isso nossa (minha e dos meus irmãos) alimentação dependia das nossas cuidadoras. "Eu nunca entendia como elas carregavam no óleo, naqueles mesmo pratos de sempre", dizia minha mãe, que mesmo ela ensinando como cozinhar para seus filhotes, ela tem certeza que nem sempre era obedecida a ordem. Foi em São Paulo que conheci a variedade dentro de casa, porque é fácil e barato conseguir mais vegetais. As feiras de rua que tem para todo o canto de São Paulo até hoje, mostra a alimentação da maioria da população dali.  Quando mudei para a Paraíba, já havia me tornado vegetariana (a fase radical) e vi que se não abrisse mão das minhas crenças, ia ficar doente rapidinho. Uma dificuldade parecida com a que minha avó contava, eu encontrei por lá. Parecida em termos, porque hoje em dia se acha de tudo em qualquer lugar, só que menos variedade e mais caro, resumindo sempre ao que os supermercados te oferecem, nem sempre saborosos. 

Mas porque hoje em dia, mesmo com tanta variedade, as pessoas ainda não comem mais vegetais, a não ser que foi criado desde pequeno a se alimentar bem? Minha opinião é de que não sabem preparar. E como eu já disse isso em inúmeros artigos deste blog, não vou repetir. Vou agora compartilhar mais formas mais saborosas de comer vegetais, como este Papetón de berinjela com coulis de tomate. Receita do meu material do curso de gastronomia, adaptada aos ingredientes encontrados por aqui. 
Para esta receita, você vai precisar de: 


Papetón: lista de ingredientes

Ao comprar berinjela, prefira as pequenas, as mais novas. Pois quanto maior a berinjela, mais velha ela é e mais amarga será, por conta da quantidade de sementes. 
1. Lave bem e corte a berinjela em cubos de 1cm (corte mirepoix). Se só encontrar grande, descarte a parte central, cheia de sementes.
2. Refogue no azeite as cebolas bem picadinhas (o famoso corte brunoise). Acrescente o alho picadinho, quando começarem a dourar, acrescente a berinjela e sal.  
3. Abaixe o fogo, tampe e cozinhe uns 5 minutos. Tire a tampa e acrescente folha de louro e tomilho. Cozinhe até a berinjela ficar transparente. Se precisar de líquido, já que a berinjela chupa muito, acrescente um pouquinho de água. Tempere com sal e pimenta.
4. Enquanto isso, bata os ovos e tempere com sal e pimenta. Misture bem à berinjela. Retire a folha de louro.  


formas de empada

5. Unte forminhas com azeite (forminhas de flan dão uma boa altura, mas usei de empada);
6. Distribua a mistura de berinjela nas formas, enchendo apenas 2/3 de cada. Cubra com papel alumínio e faça pequenos furos. 
7. Cozinhe em banho-maria por cerca de 20 minutos em forno médio. Reserve um que será a prova. Se estiver firme, e não soltar nada no palito (verifique igual verifica o ponto de um bolo), está pronto.

Para o coulis de tomate você precisa de:


Coulis de tomate: lista de ingredientes

Prepare enquanto assa os papetón. 
1. Numa panela, coloque o azeite e esquente. Desligue assim que formam aquelas linhas no azeite, como o da foto:


Ponto exato de desligar o fogo

Coloque o alecrim e tampe por uns 15 minutos. Depois, coe o azeite. 
2. Lave bem os tomates. Se orgânicos, mantenha os do jeito que estão, tirando apenas o pedúnculo. Se não, tire a casca dos tomates, reservando algumas. 
3. Num processador, coloque todos os ingredientes (exceto o azeite). Enquanto bate, acrescente o azeite em fio para emulsionar. No caso de usar tomates sem pele, acrescente aos poucos algumas peles, para dar uma melhor consistência. 
4. Coar e servir sobre o papetón. 


Finalizando o prato... 

Seja feliz!!!


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29 dezembro, 2014

Menu para o ano novo

Minha versão de Mjadra para o site Menu Desconstrução


O trabalho tem me mantido ausente deste blog. E minha inteligência tem se ausentado durante o trabalho... Não é menosprezo, mas voltar da Europa com uma mala carregada de experiência e conhecimento e se deparar com um local que custa mais caro do que eu encontrava lá, mas com o nível muito mais baixo, é de emburrecer qualquer um! E de acordo com meus objetivos (que sofrem mutações constantes na prática), é necessário esquecer as tradicionais maneiras de trabalho e sustento, pois o tradicional está mais do que corrompido neste país. Exceto para os grandes Chefs que têm conseguido elevar a gastronomia desse rico país, resgatando ingredientes e sabores já esquecidos por causa da imitação do mal hábito americano de encarar a alimentação. 



Canelone de escalibada de Pep Nogué 

Este blog é um espelho das minhas convicções na área. Já passou por uma fase radical e como tudo no mundo não é permanente, continua em constante mutação. Eu não sou mais vegetariana e nem radical. Voltei a comer peixe e frutos do mar, opto apenas por ovo e galinha caipira (nas raras vezes que como frango) e muito queijo. Em apenas 2 anos de mudança de profissão, colho o resultado da falha proteica causada pela antiga dieta. A dieta vegetariana (e para quem come pouco) é ótima para quem trabalha utilizando o intelectual. Para quem usa o corpo, é complicado sustentar essa dieta, já que o músculo necessita se alimentar bem para aguentar o trabalho. E músculo se alimenta de proteína. E ponto final. 


Joia Ristorante


Conciliar trabalho intelectual com trabalho braçal na área da cozinha, nos métodos tradicionais, é complicado. Ou você é o peão aguenta rojão naquele calor dos infernos ou você é o dono. "Quem trabalha na área de hotelaria deve ter corpo de atleta" me disse Kusum Modak, mestre criadora do método Yoga Massagem Ayurvédica, em janeiro deste ano na nossa despedida. E só agora começo a aceitar que meu corpo não aguenta bem a forma como eu gostaria de trabalhar. E só agora começo a aceitar que minha mente não aceita bem a forma como (a maioria) os empresários brasileiros trabalham a gastronomia. Sem dinheiro para abrir um negócio próprio (no momento), é preciso se reinventar. 


Carpaccio de cogumelos da Escola Bell Art (aulas de cozinha vegetariana)


Durante meu curso de gastronomia na Espanha, tive contato pela primeira vez com a alta gastronomia vegetariana. Também pela primeira vez, vi essa rica culinária sem ares de natureba, hippie e muitos outros preconceitos que costumam acompanha-la. Vi pratos lindos, apetitosos, autênticos, charmosos e cheios de frescura também, como qualquer outro prato apresentado pela alta gastronomia. No Brasil ainda há muita cara feia quando se menciona o simples termo "vegetariano", enquanto na Europa e em alguns países da Ásia é, simplesmente, comum. Todo país tem seus ricos pratos sem a necessidade de carne, como a Itália e suas massas com seus deliciosos molhos, como o Pesto, e Putanesca. Dois restaurantes vegetarianos europeus conceituadíssimos não me deixam mentir: O Hiltl (em Zurique, Suiça) e o Joia (Milão, Itália). O primeiro tem o título de restaurante vegetariano mais antigo da Europa (com 116 anos hoje) e o segundo carrega a fama de ser o único vegetariano com estrela Michelin.  Na Europa, as pessoas sabem fazer uma refeição sem carne sem o menor problema. E apreciam o prato dessa maneira. 


Rigatoni de Jamie Oliver

"Para que tanta carne em um dia se não vou queimar isso tudo?" Se vangloriava um amigo que se dizia saudável. Como muitos já sabem, o corpo precisa é de proteína e não a carne em si. Mas é verdade que a melhor fonte de proteína é a carne. Seu animal preferido (provavelmente herbívoro) se alimentou e metabolizou os aminoácidos completo (vulgo proteína) pra você. Coisa que seu corpo também sabe fazer se souber se alimentar. O problema é que muitos carnívoros de alguns países (pois não são todos que não sabem comer e nem preparar vegetais gostosos) comem poucos (ou quase nenhum) vegetais durante o dia. E ingerir excesso de proteína sem vitaminas, minerais e fibras (encontrados somente em alimentos vegetais), dificulta a capacidade do corpo de metabolizar seu bife. E dependendo do seu biotipo, não demora a aparecer os problemas decorrentes de uma dieta excessivamente carnívora. 


Hamburguer vegetariano do Hiltl


Não é necessário virar vegetariano para se alimentar bem. Mas aconselho aprender mais sobre o termo para quem quer melhorar a alimentação. Ampliar as fontes de nutrição melhora a saúde e lhe dá novos prazeres, afinal, muitos cientistas afirmam que não gostar do que se come, além de triste, faz mal à saúde (e também engorda). Não só a carne e a gordura animal são saborosos. Tem tanta coisa gostosa nesse pontinho azul na imensidão do universo que é injusto chamar só os animais de gostosos. Também não devemos cortar ingredientes se REALMENTE não temos problemas com ele, como muito se fala hoje do glúten e da lactose. Modismo não deveria ditar as regras do seu corpo.  


Aperitivo de alcachofra da minha mamis



O assunto que está em voga é a alimentação balanceada, que nada mais é: nada de excessos nem faltas. Apenas manter o equilíbrio na hora de comer. Ainda não completou nem um século que a maioria das pessoas migraram dos trabalhos braçais para os intelectuais. Mas continuamos comendo como se puxássemos carga o dia todo. As pessoas são cada vez mais dependentes de empregados e tecnologia, mas ainda comem como um peão de obra. Há que comer não só de acordo com a região e o clima onde se vive, mas também, de acordo com o estilo de vida. Em contraponto, é só ler qualquer livro de administração de pessoas para verificar o óbvio: o ser humano é avesso a mudanças. E para confirmar, basta ler qualquer livro de filósofos e outros pensadores, escritos há mais de 2.000 anos atrás (a humanidade não começou com Jesus Cristo) e verificar que, moralmente, nada mudou. Fato que sempre me levanta a dúvida se estamos, realmente, evoluindo moralmente. A tecnologia deu um salto tão grande em tão pouco tempo... porque não seguimos o mesmo ritmo? Porque exige mente aberta, novos conhecimentos e constantes mudanças no modus operandi até encontrar uma melhor forma que irá desejar ser reinventada constantemente. E com a alimentação não é diferente. 



O delicioso Veggie Burger da lanchonete paulista America


Para 2015, desejo a todos que abram suas mentes, aceitem a si mesmo em suas constantes descobertas e preparem seu corpo para a realização dos desejos de uma vida melhor. 


Ps: Dentro do texto, há links para artigos que explicam melhor cada tema abordado, como uma retrospectiva. 
Ps1: Confesse que essas fotos dão fome! Todas são vegetarianas. 
Ps2: Foco em receitas vegetarianas a partir do ano que vem (semana que vem!) que poderão ser vendidas para quem mora em Cuiabá. 
Ps4: é caro e nem quero ter um porque não tem Mario Kart. 
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01 setembro, 2014

A festa da banana


Em março deste ano, acompanhei minha mãe (a pedido dela), numa fiscalização de obras na comunidade da Mutuca no município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Ali residem várias famílias quilombolas que vivem da cultura local, plantando milho, arroz, feijão, banana, dentre outros, além do artesanato, produção de farinhas, etc. Eles nos contam que foram 47 anos de luta contra a escravidão e os fazendeiros, até que em 1997 foi criada a hoje denominada Associação da Comunidade Negra Rural Quilombo Ribeirão da Mutuca, e finalmente possuem suas terras legalizadas. 

Todos ali são pequenos produtores rurais sobrevivendo da própria terra. Resistindo há séculos a ganância dos grandes produtores, eles se mantêm unidos e a todo custo buscam manter o cultivo de uma das vedetes da culinária brasileira: a banana da terra. 

Para quem não sabe, os mato grossenses em geral são apelidados de papa banana. Em Cuiabá, é comum nas casas de famílias mais tradicionais a banana acompanhar qualquer prato. É tão requisitada quanto a farofa. Melhor ainda se for farofa de banana. Por ser menos doce e mais rica em amido, é melhor comê-la frita, assada, cozida... nham!

O município de Nossa Senhora do Livramento foi um grande produtor dessa iguaria. Hoje existem pouquíssimas plantações por causa da agricultura extensiva que está acabando com a vegetação e a tradição do Estado. A festa da banana começou com a intenção de manter a tradição do cultivo e da cultura local. Agora no seu 6º ano, se tornou uma boa fonte de renda para os produtores da comunidade, além de se divertirem numa festa regada a música, artesanato e muita, muita banana em diversos produtos comercializados ali. 

Hoje, muitos mercados e supermercados compram banana de outros estados para revender. É estranho uma população ter que 'importar' sua tradição. E por isso eles criaram a festa.  

Lembranças dos outros anos de Festa. 
Este ano, a festa ocorreu no dia 06 de julho e foi divulgada em alguns jornais locais. Em março, quando conheci a Laura Ferreira (organizadora da festa e residente local), comentei -quando ela fez o convite - que era meu aniversário e eu não sabia se estaria por aqui. Ela exclamou que o melhor de tudo é que eu não precisaria organizar uma festa, pois já tinha uma. Dito e feito. Naquele domingo ensolarado, fomos nos empaturrar de banana na VI Festa da Banana Quilombola. 

Pela parte da manhã teve apresentação de danças típicas como o Cururu, o Siriri e algumas danças de origem africana. 


As vendas dos produtos locais iam de vento em popa. Tinha melaço de cana, mel, banana frita, frutas em conserva, licor de banana e outras frutas, rapadura de banana, furrundu, bala de banana e muitos outros. 


 A banana frita mereceu um close. É o melhor tira-gosto (na minha opinião) da face da terra!


Ainda pela manhã teve uma oficina para ensinar fazer farinha de banana da terra. Na festa estavam presentes estudantes de gastronomia de uma universidade local, e nem preciso dizer que eles dominaram a oficina. Por causa da aglomeração em torno da pequena mesa montada para demonstração, não consegui tirar fotos do passo a passo. Mas anotei tudo:

Preparação da oficina. Foco no pilão ;)
Precisa apenas de banana da terra verde. 1. Lave as bananas (inteiras) esfregando bem sua casca. 2. Com uma faca, descasque as bananas. 3. Reserve o interior das bananas para outras receitas. 4. Espalhe os pedaços de casca na assadeira e seque-as em forno brando durante 3 ou 4 dias. 5. Coloque as cascas num pilão e soque até formar a farinha. Para os sem força, pode usar um liquidificador ou outro aparelho que facilite a vida. Prontinho. 


A dona desse delicioso bolo acima nos contou que eles substituem a farinha de trigo pela farinha de banana em muitas receitas. E que o resultado é o mesmo quando se usa a farinha comum. Tá aí uma ótima dica para os celíacos. 


No início da tarde o povo tava com fome e o almoço foi liberado. Foi servido arroz branco (reparem no prato desfocado no canto inferior a direita) e um guisado de feijão, carne e banana, é claro. E farofa. Eu não provei por conta da carne (e também já havia me empanturrado de chips de banana), mas todos na mesa lambiam os beiços e não deixaram sobrar nada. 

Pausa pra um espetinho e uma prosa após o almoço. 
De pança cheia, a ideia era descansar. Depois de tomar garapas para espantar o calor e quebrar o gosto salgado do almoço, foi a vez do desfile para promover a garota da festa da Banana de 2014.  A organizadora teve de chamar pessoas de fora da comunidade para uma eleição justa. O que não durou muito tempo e foi uma divertida confusão. Familiares e amigos das garotas berravam quem tinha que ganhar. Ou cada vez que suas favoritas apareciam. A solução foi os jurados desconhecidos elegerem as 3 melhores em cada categoria (mirim e juvenil) e a vencedora foi elegida pelo voto popular. 


Depois de muito alvoroço, foi elegida a que tinha mais torcedores. Foi uma festa! 

  

E como não pode faltar em nenhuma festa matogrossense, uma banda local de lambadão subiu ao palco e botou todo mundo pra dançar. O salão ficou pequeno para aquela quantidade de casais que sabiam como ninguém requebrar os quadris. 



Foi uma festa bonita, repleta de comida boa, conversa fiada, bebidas e tradição. Na hora do 'baile', ninguém ficou de fora. Todos comemoravam mais um ano de sucesso da Festa da Banana. 


Quando nos despedíamos para ir embora (e pegar a estrada antes de anoitecer), Laura (a organizadora da festa) disse-me que tinha uma torta pra mim. Pensei em um pedaço ou algo do gênero e lá veio ela com um bolo inteiro só pra mim dizendo: eu não me esqueci do seu aniversário! Eu só a vi uma vez (quando a conheci). Mas seu gesto foi tão, tão significativo que até hoje não sei explicar o que senti quando ela me disse eu não esqueci e preparei um bolo pra você. Principalmente, quando o único gesto carinhoso recebido nesta data veio de alguém quase desconhecido. Foi uma excelente festa! 

Laura, o bolo e eu (segurando o choro)
Um bolo básico recheado com creme de coco e uma deliciosa crosta de banana... Não durou 5 dias! Pretendo voltar à comunidade para recolher inúmeras receitas, incluindo a do bolo.

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25 agosto, 2014

Under Construction

Meus amigo(a)s, 



Perdoem-me a ausência! Estive viajando e na semana que voltei, iniciei um novo emprego que tem tomado muito do meu tempo livre. 
Aos poucos vou acertando meu horário e espero logo voltar a compartilhar mais estudos com vocês. É que ultimamente estou focada no meu trabalho. 

Falando nisso, para quem vive em Cuiabá, digo que estou desenvolvendo saladas de acordo com meus estudos em biodietética e nutrição ayurvédica. Toda noite sirvo uma salada diferente de acordo com a mercadoria que a loja recebe no dia, entre outros. Tudo eu mesma que preparo, como os croutons, carpaccio, torradas, dressings (molhos), etc. A combinação de ingredientes faço de acordo com preceitos ayurvédicos, e descobri médicos alopatas utilizando a mesma tabela de combinação de alimentos, com explicação mais ocidental. Essa tabela vou disponibilizar aqui em breve. Ela visa promover uma melhor digestão durante as refeições, dando aquela sensação de leveza após devorar um belo prato. 

salada do dia no meu instagram @quelv


O espaço abriu há apenas 2 semanas e além da famosa padaria (para quem já conhecia a Estação do Pão), há um empório gourmet, lanchonete e cafeteria. Para quem não conhece e para os desatualizados de plantão, a loja foi aberta no sistema Soft Opening, uma excelente maneira de testar os serviços antes mesmo de definir a proposta final. Sem propaganda, sem nada. O público ajuda a reconhecer as falhas e seria educado dizer aos gerentes de plantão suas opiniões. De um modo geral, o público está gostando, não só a arquitetura do local, algo inexistente na cidade com pouquíssimas (para não dizer nenhuma) atrações do gênero, mas também produtos que antes não se encontrava por aqui. Mas relaxem, não vão esperando encontrar de tudo porque o mercado não é tão grande, mas é rico. 

Curtam e conheçam a fanpage da Padaria do Moinho. Aproveitem para deixar suas impressões, sugestões, etc., durante essa fase de testes, ao invés de bancar o advogado do Diabo e esbanjar toda falta de finesse e educação que muitos brasileiros, infelizmente, têm. 
Eu já rodei meio mundo e posso dizer que está a altura de estabelecimentos de muitos países europeus. Vi um restaurante em um posto de gasolina próximo a Lausanne (Suiça) com uma proposta similar, mas bem menor.  
Um segredo: meu sonho é ver o dia que nosso país vai dar um fim na desigualdade social. Para vocês que viajam o mundo, já devem ter notado que não existe escravos nos países de primeiro mundo (bem... isso é bem menor e escondido em alguns, rs). As pessoas se servem, empacotam, jogam a sujeira no lixo, devolvem o prato numa bancada, etc... Nada de escravos e funcionários são iguais os clientes (como seres humanos). Portanto, respeitem a nova proposta ;-)     

Enquanto isso, postarei artigos que já estavam engatados e receitas. Volto em breve!
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12 julho, 2014

História da Alimentação


Segue o link de um site interessante sobre a história da Alimentação, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Criado pelo prof. Carlos Roberto Antunes dos Santos e mantido por uma equipe de pesquisadores da área, o site oferece diversos estudos, dicas, resenhas, notícias e materiais sobre o vasto campo da alimentação, através da História. 

História da Alimentação. História, Cultura e Sociedade. 
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